Justamente diante do lanterna, o
Sport perdeu a invencibilidade desde a retomada do Campeonato Brasileiro depois
da Copa do Mundo. Ao perder seu maior trunfo, o sistema defensivo,
principalmente no segundo tempo, o Leão caiu por 3×0 diante do Figueirense, em
Florianópolis e ficou estacionado nos 21 pontos na Série A do Campeonato
Brasileiro. Na próxima rodada, os rubro-negros jogam novamente fora de casa. O
adversário será o novo lanterna, o Flamengo, domingo (10), no Marcanã.
O 4-1-4-1 usado pelo técnico
Eduardo Baptista faz o time se defender extremamente bem. Isso é público,
notório e os números corroboram. O que falta – e muito – é qualidade com a
bola, principalmente nos pés de quem tem que fazer a bola chegar à frente. Chega
a ser um paradoxo, mas é um time que joga melhor sem a bola.
Prova disso foram os primeiros
minutos de jogo. O Figueirense encheu o campo de defesa leonino de gente, mas
não adiantou muita coisa. Mesmo recuado, o Sport manteve as linhas próximas, os
dois laterais plantados e não permitiu que o adversário entrasse na área
tocando a bola. Os donos da casa só conseguiram assustar nas bolas alçadas. E
assustaram muito.
Aos 19, numa falta cobrada na
área, Thiago Heleno desviou de cabeça e Magrão fez grande defesa. Na cobrança
de escanteio, os dois laterais, Renê e Patric, salvaram quase em cima da linha
em sequência. Na primeira, Leo Lisboa tentou de meia bicicleta e Renê salvou de
peito. No rebote, Rivaldo, aquele mesmo volante que defendeu o Leão em 2012, cabeceou
nas pernas de Patric.
Quando tomava a bola, o time da
Ilha não conseguia acertar três passes em sequência. Em parte, carência de mais
qualidade. Também seria interessante uma transição mais rápida do momento
defensivo para o ofensivo. O jogador que tomava a bola tinha as opções de passe
muito distantes, o que potencializa a chance de erro. O primeiro chute dos
pernambucanos saiu aos 17, quando Neto Baiano roubou a bola no campo defensivo.
Zé Mário avançou e chutou para fora.
Nos poucos momentos em que marcou
a saída de bola do Figueira o Sport deu indícios de que poderia colher algo
melhor. Em primeiro lugar porque como jogava com três atacantes de ofício,
havia mais gente para tocar a bola. E em segundo lugar para mostrar que a
defesa do rival não é boa como mostra a posição dele na classificação.
Aos 35, por exemplo, na pressão,
o time da casa saiu jogando errado e Ananias ganhou um presente. Livre, cruzou
para Neto Baiano. Thiago Hele conseguiu esticar o pé e fazer o corte. Seis
minutos depois, o onipresente Leo Lisboa conseguiu um pouco mais de liberdade e
chutou da entrada da área. Acertou o canto direito para fazer 1×0.
Na volta para o segundo tempo, o
Sport só mexeu na roupa. Saiu a camisa preta e branca que confundia com o
alvinegro do Figueirense e voltou a tradicional rubro-negra. Mas o jogo não
mudou. O time continuou muito atrás e sem condições de sair tocando a bola no
contra-ataque. Vendo que a situação não mudou na conversa, o técnico trocou as
peças. Danilo e Renan Oliveira assumiram os lugares dos apagados Ananias e Zé
Mário.
Logo após as alterações, os
leoninos criaram as melhores oportunidades até então, mas não pelas alterações,
mas por causa do avanço dos dois laterais. Primeiro, Renê cruzou e Renan
Oliveira cabeceou quase encostado no segundo pau. Thiago Volpi acompanhou a
jogada e fez a defesa. Na sequência, Patric mandou também para Renan usar a
cabeça e, desta vez, mandar para fora.
Os pernambucanos tiveram mais
condições de jogo porque o Figueirense, nitidamente, recuou. Aos trancos e
barrancos o Sport conseguiu igualar a posse principalmente no setor de criação.
Mas como não tinha qualidade para reter a bola no campo ofensivo, o campeão
pernambucano deu ao adversário o direito ao contra-ataque. E ele veio aos 30
minutos com apenas três toques na bola. Leo Lisboa recebeu da defesa na lateral
esquerda e fez um lançamento longo para Cleiton arrancar e tocar rasteiro na
saída de Magrão.
Imediatamente, Vítor substituiu
Patric e foi do lado dele que os alvinegros encontraram o gol que sacramentou a
vitória. Cereceda dominou a bola com tranquilidade e cruzou na medida para
Marco Antônio, na marca do pênalti, cabecear no canto alto direito. O terceiro
gol também mostrou como o Sport perdera seu maior trunfo à medida que o jogo avançava:
a capacidade defensiva. Mesmo com os dois zagueiros na área, Marco Antônio
sequer precisou saltar para concluir a jogada.
Também ficou provado que se os
laterais avançarem demais e ao mesmo tempo o time terá problemas. Mesmo com
dois jogadores nas extremas, Ananias (depois Danilo) e Felipe Azevedo, a
marcação nos lados do campo não funcionou.
Ficha de jogo:
Figueirense: Tiago Volpi; Leandro Silva, Thiago Heleno, Marquinhos
(Nirley) e Roberto Cereceda; Paulo Roberto, Rivaldo, Marco Antônio e Kleber (Leo
Lisboa); Jean Carlos (Cleiton) e Ricardo Bueno.Técnico: Argel Fucks.
Sport: Magrão; Patric (Vítor), Durval, Ewerton Páscoa e Renê;
Rithely, Wendel e Zé Mario (Renan Oliveira); Felipe Azevedo, Neto Baiano e
Ananias (Danilo). Técnico: Eduardo Baptista.
Local: estádio Orlando Scarpelli
(Florianópolis-SC).
Árbitro: Jailson Macedo Freitas (BA).
Assistentes: Alessandro A Rocha de Matos e Luiz Carlos Silva Teixeira (ambos da Bahia).
Gols: Leo Lisboa, aos 41 do primeiro; Cleiton, aos 30; e Marco Antônio, aos 38
do segundo.
Cartões amarelos: Durval e Leo Lisboa.
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