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sábado, 9 de maio de 2015

Empresário diz que doou à campanha de Dilma

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O empresário Ricardo Pessoa, dono da empreiteira UTC, disse a procuradores da Operação Lava Jato que doou R$ 7,5 milhões à campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff por temer prejuízos em seus negócios na Petrobras se não ajudasse o PT.

Segundo Pessoa, a contribuição da empresa foi tratada diretamente com o tesoureiro da campanha de Dilma, o atual ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Edinho Silva.

Preso desde novembro do ano passado e hoje em regime de prisão domiciliar, o empresário negocia desde janeiro com o Ministério Público Federal um acordo para colaborar com as investigações em troca de uma pena reduzida.

Nos contatos com os procuradores e no documento em que indicou as revelações que está disposto a fazer caso feche o acordo, Pessoa descreveu de forma vaga sua conversa com Edinho, mas afirmou que havia vinculação entre as doações eleitorais e seus negócios na Petrobras.

O empreiteiro contou ter se reunido com Edinho a pedido do então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, apontado como o principal operador do partido no esquema de corrupção descoberto na Petrobras e hoje preso em Curitiba.

As doações à campanha de Dilma foram feitas legalmente. Segundo os registros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), foram três: duas em agosto e outra em outubro de 2014, dias antes do segundo turno da eleição.

Se Pessoa fechar o acordo de delação premiada com os procuradores, ele terá então que fornecer provas e detalhar suas denúncias em depoimentos ao Ministério Público e à Polícia Federal.

Em janeiro, Pessoa já havia indicado sua disposição de falar sobre a campanha de Dilma Rousseff em documento escrito na cadeia e publicado pela revista "Veja". "Edinho Silva está preocupadíssimo", escreveu o empresário.

Blog de Magno Martins 

domingo, 12 de abril de 2015

Licença para Mentir

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 O tesoureiro do PT, João Vacari Neto, denunciado criminalmente como operador de propina do Partido dos Trabalhadores no esquema do Petrolão, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro, prestou depoimento, ontem, à CPI que investiga desvios da Petrobras.

Vacari, finalmente, foi à Comissão, mas não sem antes conseguir, no Supremo, o direito de mentir. A Corte autorizou o tesoureiro a responder ao Congresso na condição de acusado, e não como testemunha. Neste caso, Vacari teria obrigação de dizer a verdade, sob pena de falso testemunho. Mas, como acusado, não precisa fazer prova contra si mesmo, portanto tem o aval para faltar com a verdade.

Então, com licença para mentir, Vacari disse que nunca foi íntimo de Pedro Barusco - um dos operadores do Petrolão.

Vacari afirmou que nunca tratou de finanças do PT com o doleiro Alberto Youssef.

Vacari garantiu que nunca negociou propina.

Vacari defendeu que todas as doações de campanhas feitas ao PT foram legais.

Enquanto o bicho pegava em Brasília, com direito a ratos soltos no Congresso, no Rio de Janeiro, durante entrega de unidades do Minha Casa Minha Vida, Dilma enchia a boca para falar aos incautos:

“A Petrobrás tirou aqueles que se aproveitaram dela para enriquecer seus próprios bolsos. Limpou o que tinha de limpar.”

Até para os padrões do PT, foi mentira demais para um dia só!

Blog da Rachel Sheherazade

quinta-feira, 26 de março de 2015

Almoço Grátis

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Como em todo caso de corrupção, não há vítimas: corruptos e corruptores são todos culpados. Quem compra e quem se vende se iguala na indignidade. É o caso dos envolvidos no escândalo do Petrolão.

São igualmente desprezíveis os executivos da Petrobras que operavam fraudes e desvios, os partidos que os indicavam, e os empreiteiros que superfaturavam contratos, multiplicavam seus lucros e pagavam propina ao PT, PP e PMDB em forma de doações de campanha.

Estão todos no mesmo saco de gatos, ou melhor, de gatunos, e deverão responder na Justiça na medida de seus crimes.
O delator Paulo Roberto Costa resumiu, em uma frase, como funciona o submundo da corrupção:

“Não existe almoço grátis”, uma referência ao economista americano Milton Friedman, para quem, tudo tem o seu preço.

Segundo o ex-diretor da Petrobras, não se indica alguém para um cargo político sem querer nada em troca.
“Se um político indica fulano para ser ministro dos Transportes é porque tem interesse depois que alguma coisa reverta para o partido” Afirmou o delator.

Para Costa, na Petrobras, não existia possibilidade de um diretor ocupar uma diretoria se não tivesse respaldo político . “Você podia ser um técnico brilhante”, revelou, “mas, você vai morrer ali”.
Sem mais nada a perder, o delator do Petrolão descortinou o Brasil real. O país dos QI's – os Que Indicam. Padrinhos e seus afilhados: a presidente que nomeiam advogado do PT Ministro do Supremo, a filha de ministro que vira desembargadora graças ao “pedigree”, o governador que cria secretaria para abrigar filha desempregada...

É como se o Estado fosse deles, como se eles tivessem o direito legítimo de dispor do público como se privado fosse. E às favas com os princípios da moralidade e impessoalidade!

Vivemos a mais profunda crise de valores. O avesso do avesso! Avesso do bom senso, da honra, da ética, da vergonha na cara...

Lá no serviço público, de meras repartições à Cortes e ministérios, onde manda quem pode e obedece quem tem juízo, o mérito é apenas um detalhe dispensável.

Depois de 17 anos como servidora pública concursada, sem QI, nem “pistolão”, aprendi que funcionário é como um livro numa estante. Os mais úteis estão sempre nas prateleiras mais baixas.

BLOG DA RAQUEL SHERAZADE