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terça-feira, 5 de julho de 2011

O TEMPLO E O TEMPO


Dá a impressão de que é um dia de Domingo. A igreja está sozinha, imponente, erguida para o alto. Impossível contemplar o templo sem sentir o tempo. Foi por trás desta Domus Dei que fiz o meu Curso Primário. Lembro-me até do meu corte de cabelo, camisa engomada e gravatinha pendurada no pescoço. A professora dava aula de tudo, até de boas maneiras. Qualquer erro era denunciado à genitora, qualquer desvio da cartilha moral era um pecado. Era proibido pensar nas tentações da carne por trás da Igreja. Profa. Luzinete Macedo ensinava o verbo amar, com todo amor do fundo da alma. Era o mais regular dos verbos, o verbo dos verbos, o mais conjugado. Prof. Luzinete Macedo era bonita, bem fardada, impecável. Falava explicado, com ênfase, uma lição de ser humano. Saíamos com sua aula na epiderme, na respiração, embalados pelo seu tom, seu gosto. Cheirávamos as páginas do livro, passávamos a mão na pele das páginas.

Impossível contemplar este templo sem pensar no tempo, sem pensar na vida, no vulto iconográfico de Padre Pita. Impossível não pensar no destino, nos meus idos e vindas de menino. Meu corpo era maneiro, meu sangue fino, desengordurado, desintoxicado, a morte estava longe. Minha infância evolou-se por trás deste templo, para além dos coqueiros, na penumbra da Hora do Ângelus. Ah! minha vida, nossas vidas, nossos templos, na correnteza fugaz do tempo. Lembra-me a palavra desesperada de Horácio, angustiado com a brevidade da vida: Eheu! fugaces labuntur anni! (Ai de nós! os anos passam ligeiro!)

Transitório abraço!

Texto/Foto: Sosígenes Bittencourt

http://www.revistafragmentos.blogspot.com/

quarta-feira, 9 de março de 2011

Carnaval - Alceu versus Pierre, na visão de Sosígenes Bittencourt.

Terça-feira Gorda em Vitória de Santo Antão, 08 de março de 2011. A multidão se espreme, ensardinhada na Praça Duque de Caxias, para ver Alceu Valença cantar.

Alceu dana-se a fazer pantomima, cantando e saracoteando pra lá e pra cá, feito um papagaio na vara. De repente, lá vem Pierre descendo pela rua Dr. Aloísio Xavier, nu de cintura pra cima, musculoso, pulando e cantando, como se fosse se despencar das alturas. 

Ninguém abre pra ninguém. Os decibéis estrondam na praça, parecendo que vai rachar. Alceu, invocado, pede a Pierre para passar em silêncio, alegando que está parado e o trio invadindo o seu espetáculo. Reeditam o Eclesiastes: Vaidade das vaidades, tudo é vaidade.

Pernambucanalhados, discutem na maior fuleiragem. Ladram impropérios impublicáveis nas fuças do povo. Desrespeitam as crianças e acirram os ânimos dos maloqueiros, que nem menino criado em zona de baixo meretrício. Aí, uma récua de doidos atira cerveja no trio, berrando, querendo se amostrar. Esse filme é reprise, bagunça histórica na cidade.


E é por causa dessa barulheira infernal e certas músicas pornográficas, feitas para inflamar a genitália e endoidar o cabeção, que mataram dois foliões a cacete, no Carnaval. É multiescullambação no Carnaval multicultural.
Malcriado abraço!



Sosígenes Bittencourt

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Desligue a TV durante o BBB

Trabalhando na mesma Rede de Televisão, Jô Soares sugere que desligue a TV durante o BBB. Ou seja, embora contratado pela Rede Globo, o talk show disse o que quis e ainda invocou a "Liberdade de Expressão", questionado pelos tuiteiros, quando viram sua postagem: "BBB = Desligue a TV". E explicou: "Eu não estou incentivando ninguém a desligar a TV, desliga quem quer."
Cá com meus botões, eu acho que Jô Soares, acostumado a entrevistar celebridades e de bobo só ter a cara de brincalhão, achincalhou com o Big Brother Brasil. Já se disse que é brincando que se leva a vida a sério.
Mas, para não me deter sobre o que eu considero a Big Bobagem Brasil, vamos rever algumas frases do nosso intelectual das madrugadas. Com vocês, Jô Soares:
Se existe tanta crise é porque deve ser um bom negócio.
Em uma coisa os bêbados e os geógrafos têm razão: a Terra gira.
Não há nada de errado com a velhice que a morte não resolva.
É bem melhor pensar sem falar do que falar sem pensar.
A corrupção não é uma invenção brasileira, mas a impunidade é uma coisa muito nossa.
A comissão faz o ladrão.
Junta médica é uma reunião que os médicos fazem nos últimos momentos de nossa vida para dividir a culpa.
No Brasil, quando o feriado é religioso, até ateu comemora.
Humorístico abraço!
Sosígenes Bittencourt, Revista Fragmentos