No
dia da despedida dos Aflitos, torcedores, com lágrimas nos olhos, resistiam
dizer adeus
Os refletores dos Aflitos foram apagados pela última vez às
21h25. Mas havia os que não queriam ir embora. O estudante Gilberto de Azevedo,
de 25 anos, era um deles. Sua resistência durou mais de 10 minutos. No escuro.
Acabou sendo o último dos 15.013 alvirrubros a dizer adeus ao velho Caldeirão.
O último momento de um dia de várias despedidas. Do derradeiro gole de cerveja
no Bar do Americano ao último grito de gol do Náutico. No último lance do
estádio.
“Saí de casa para o jogo com esse sentimento de adeus, mas
não queria ser o último a sair do estádio. Mas fui ficando, ficando. É um dia
muito triste”, afirmou Gilberto, que lamentou o empate de 2 a 2. Resultado que
não deu ao antigo caldeirão alvirrubro uma despedida perfeita. Como se o adeus
a um velho amigo pudesse ser perfeito. Após a partida, o sentimento de boa
parte da torcida era de revolta por conta de mais uma fraca apresentação do
time. Vaias, protestos contra a diretoria, desabafos. Tudo normal pelas
circustâncias. Mas a partida em questão não era apenas mais uma. Não haverá
outra no domingo seguinte para se fazer as pazes. Assim, com o passar do tempo,
a raiva momentânea foi dando espaço a um recém-adquirido momento de nostalgia.
Com lágrimas nos olhos, o advogado Fábio Muniz Guerra, 36
anos, conseguiu junto à reportagem do Diario o privilégio de entrar no gramado
histórico. Para ele, se o passado traz boas recordações, o futuro alvirrubro é
de incertezas. “Vamos para um estádio bonito, mas inóspito e insosso. O futuro
do Náutico lá é incerto. O estádio dos Aflitos é a verdadeira casa alvirrubra.
Aqui está a alma do nosso clube. Merecíamos um ponto final melhor para a
história dos Aflitos. Mas daqui só guardo as boas lembranças”, enfatizou.
Aflição
Lembranças que cada um queria tornar eternas a sua forma. A
maioria preferiu tirar fotos antes, durante e depois da partida. Mas havia
outros que queriam um pouco mais. Um profissional que trabalhava na partida
aproveitou chance de estar dentro de campo e tirou um tufo da grama sagrada
alvirrubra. “Vou plastificar”, disse, orgulhoso. Outros não tiveram a mesma
sorte. A torcedora Leda Gomes pediu, implorou, mas não conseguiu entrar no
campo para também poder levar para casa aquela que, para ela, era o diferencial
dos Aflitos.
“O nosso gramado era o nosso diferencial. Ganhamos muitos
jogos aqui por causa dele. Na Arena vamos perder essa arma. Não consegui levar
um pouco dele para casa, mas amanhã vou tentar de novo”.
E entre tantos últimos momentos dos Aflitos, houve espaço
também para alguns primeiros. O comerciante Wilson Andrade, que nos dias de
jogos do Náutico assume o papel de “Papai Noel Alvirrubro”, levou o neto,
Bento, de dois anos, para conhecer o Eládio de Barros Carvalho. No dia da
despedida, uma estreia. “Era agora ou não era mais. Ele vai frequentar os jogos
do Náutico na Arena Pernambuco. É a nova safra de torcedores do clube. Mas
antes de estrear na nova casa tinha que conhecer os Aflitos. Quando ele
crescer, vai me agradecer”.
Portal Super Esportes

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