segunda-feira, 3 de junho de 2013

Torcida trava luta contra a diretoria para tentar salvar o Bahia


Torcedores usam mordaça para pedir democracia na gestão do clube

Mal começou o Campeonato Brasileiro 2013 e o Esporte Clube Bahia já larga na zona de rebaixamento. Pior, vendo o arquirrival Vitória-BA dormir na liderança após derrotar o Vasco por 2x0 nesse sábado (1º). Com três rodadas, o clube ocupa a 17ª posição com fortes indícios de queda para a Série B no ano que vem. E o mais grave: não é prematuro afirmar isso. O Tricolor de Aço vive uma das piores crises dos 82 anos de existência.

Na temporada 2013, o Bahia coleciona insucessos que atestam o estado crítico: três derrotas no Ba-Vi, sendo duas por goleada - o histórico placar de 5x1 na inauguração da Arena Fonte Nova e 7x3 na primeira partida da final do Campeonato Baiano -, e por consequência, a perda do título estadual, a eliminação precoce no Nordestão, a desclassificação da Copa do Brasil dentro de casa para um inexpressivo Luverdense-MT e a estreia no Brasileirão com uma derrota por 3x0 contra o Criciúma, que acabou de voltar para a primeira divisão.

A crise alcançou um patamar nacional já que, a Revolta das Caxirolas, episódio em que torcedores e membros da organizada Bamor arremessaram dezenas de chocalhos no gramado da Arena, foi preponderante para que o instrumento criado pelo músico Carlinhos Brown para ser a vuvuzela brasileira, esteja praticamente proibido de ser utilizado nos estádios durante a Copa das Confederações e Mundial de 2014.



Jogadores tiveram que retirar caxirolas arremessadas no gramado durante Ba-Vi

Para a maioria da torcida, o culpado pela situação é o presidente do clube, Marcelo Guimarães Filho, cujo pai já havia presidido o tricolor e, coincidentemente, teve uma gestão muito criticada devido ao rebaixamento do time para segunda divisão de 2004 e para a terceirona em 2006. Mesmo diante das pressões, o dirigente que acumula o cargo de deputado federal pelo PMDB, garantiu que não vai renunciar ao posto.

A insatisfação dos torcedores fez com que Marcelinho ou MGF, como é conhecido, fosse alvo de ataques, no mínimo, criativos. A descrição sobre o dirigente no site Wikipedia foi alterada para "o presidente mais incompetente da história do Bahia" e "um cara que está enriquecendo às custas de um clube e de uma nação de torcedores". Um outro torcedor colocou o presidente à venda no Mercado Livre por R$ 1, logo após a segunda goleada aplicada pelo rival rubro-negro, no mês passado. O 'passe' de MGF continua disponível no site, agora, um pouco mais 'valorizado': R$ 24.

Presidente foi colocado à venda em site por R$ 1


Mas a maior mobilização foi articulada por um grupo formado por um empresário e três publicitários. Criado logo após os 5x1 sofrido na inaugaração da que é considerada a casa do Bahia, o Movimento Bahia da Torcida ganhou a adesão da massa tricolor fundamentado em três pilares: democratização do clube, priorizando a opinião do torcedor, reforma do estatuto e dar andamento aos processos judiciais que investigam o Esporte Clube Bahia.

"Queremos que existam possibilidades de revezamento no poder, que o clube seja gerido com competência, transparência e que essa gestão seja sempre avaliada de forma honesta", explicou o publicitário, Williams Vieira, um do fundadores do movimento. Junto com o empresário Sidônio Palmeira, os publicitários Bruno Mollicone e Cássio Melo, e com apoio de advogados e jornalistas tricolores, conseguiram reunir cerca de seis mil torcedores na Fonte Nova, em uma grande manifestação popular em prol da democracia e renúncia imediata de MGF.

Público zero: poucos torcedores assistiram o jogo contra o Luverdense-MT
O mote da campanha é o sentimento de estar amordaçado, como se consideram os torcedores. Dezenas deles enviaram fotos com mordaças para a fanpage do Bahia da Torcida que angariou, em tempo recorde, mais de 11 mil curtidores. Outra mobilização que está sendo levada à risca pela torcida é o público quase zero nos jogos, desde a final no Barradão. Nos bastidores comenta-se que a administração da Arena Fonte Nova está preocupada com essa estratégia pelo impacto financeiro no borderô das partidas.

Tricolores enviam diariamente dezenas de fotos 'amordaçados' para a fanpage do Bahia da Torcida




"Tudo para termos um novo estatuto no clube, que permita a participação do torcedor, que torne o clube uma instituição democrática e, consequentemente, mais forte", garante o publicitário. Entre os adeptos do movimento estão o governador Jaques Wagner (PT) e o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), que deixaram de lado as rivalidades políticas e gravaram declarações públicas para o movimento em defesa do Bahia.

Segundo os fundadores, o Bahia da Torcida não tem nenhum financiador. "Desde o adesivo até o outdoor colado foram cedidos pelas empresas que produziram sem custo, e especialmente torcedores indignados do Bahia", explica. 
  
No começo da semana passada, o presidente do Bahia se pronunciou oficialmente sobre todas as denúncias acerca de seu nome. Em carta publicada no site oficial do clube (clique AQUI para ver a íntegra do texto), Marcelo Guimarães Filho atribui a crise apenas aos resultados dentro de campo e garante que a gestão tem feito de tudo pela instituição. "Não posso e não quero negar, nem mesmo atenuar, o momento difícil por que passa o nosso Bahia. A pífia campanha desenvolvida pelo time até agora desencadeou a contrariedade da torcida, que passou a manifestar-se e a pedir mudanças", afirmou.

Presidente garantiu que não vai renunciar ao posto



Na carta, MGF considera que "as críticas ultrapassaram os limites do futebol", porque vieram de uma parte dos torcedores que tem interesses políticos em relação ao clube. "Nada contra eles, já que é assim que se chega à presidência", sugere. O fundador do movimento rebate as acusações. "Não fizemos o movimento com algum nome para presidir, o objetivo principal é acabar com a oligarquia", justifica Vieira, acrescentando que a indicação de novos nomes para o conselho e diretoria ocorrerá naturalmente com o tempo.


O próximo desafio do Bahia é neste domingo (2), às 18h30, contra o Internacional, no Rio Grande do Sul. A partida é a terceira sob o comando de Cristóvão Borges (ex-Vasco), que também é o terceiro técnico a assumir o Tricolor na temporada, depois de Jorginho, remanescente de 2012, e Joel Santana.

Do NE10 Bahia

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