sexta-feira, 16 de maio de 2014

Do blog do Magno Martins: Coluna da sexta-feira

TUDO A VER COM A BAHIA - A greve da Polícia Militar de Pernambuco, que provocou um clima de tensão, horror e impotência na população, não foi diferente da que ocorreu na Bahia, no mês passado. Ali, o movimento foi liderado por um político, o vereador Marco Prisco (PSDB), que chegou a ser preso pela Polícia Federal. Aqui, o líder também é político: José Maurino do Carmo, o Joel da Harpa, suplente de vereador em Jaboatão dos Guararapes pelo Partido Progressista (PP). O que se ouve nos bastidores, inclusive, é que ele seria candidato a deputado estadual.

Na Bahia, durante a greve, foram registrados 59 homicídios só em Salvador relacionados ao movimento. Houve saques ao comércio e arrastões. Em Pernambuco, ainda não há notícias de morte diretamente ligadas à greve, mas ocorreram saques, roubos, assaltos e arrastões.

Só há uma diferença: enquanto na Bahia o governador Jacques Wagner (PT) demorou a pedir socorro federal, em Pernambuco o governador João Lyra Neto (PSB) agiu de imediato.

Ontem, dia seguinte aos arrastões em Abreu e Lima e no Recife, o Exército já estava nas ruas para garantir a segurança da população, que temendo ser vítima do descontrole no estado provocado pela greve, ficou refugiada em casa. Comércio e repartições públicas fecharam suas portas. Escolas suspenderam aulas e muita gente evitou sair de casa. Mas com a chegada do Exército, a situação foi se normalizando, embora houvesse, até então, 100% de segurança para se voltar à rotina.

Essa sensação de segurança deve ser retomada aos poucos, agora, com o fim da greve, anunciado por volta das 20h00 de ontem.

Mas vale lembrar que esse movimento, que tinha como um dos príncipios mais básicos um componente econômico, teve também viés de natureza política. Assim como na Bahia, os policiais militares de Pernambuco não conseguiram as vantagens tão almejadas, porque, segundo o governo estadual, não se pode conceder nenhum tipo de reajuste em ano eleitoral, ainda mais faltando apenas 180 dias para o pleito.

TENSÃO – Assim como no Recife e Região Metropolitana, o Interior viveu, ontem, as tensões provocadas pela greve da Policia Militar. Em Belo Jardim, com a adesão do 14º Batalhão ao movimento, o comércio fechou e pouca gente se arriscou sair às ruas. Em Arcoverde, o comércio só funcionou pela manhã, enquanto que em Garanhuns, os comerciantes só abriram seus estabelecimentos depois que viu o Exército nas ruas.

FALTA ESTRUTURA – Componente  econômico à parte, o fato é que são bastante precárias as condições de trabalho da polícia em Pernambuco: viaturas depenadas, sem rádio de comunicação, telefones cortados, armas superadas, equipamentos quebrados, enfim, problemas que se arrastam há muitos anos e o governo continua fazendo vista grossa.

LONGE DO PP – Tão logo se espalhou ontem na mídia e nas redes sociais a informação de que o líder da greve da PM, Joel da Harpa, tinha vínculos partidários com o PP, o presidente estadual da legenda, Eduardo da Fonte, cuidou de negar, afirmando que hoje ele não tem mais nenhuma ligação com o partido. No entanto, dizem que o solado é uma pessoa bem próxima ao deputado Cleiton Collins.

NÃO VALE A PENA - O candidato do PSB, Eduardo Campos, fez as contas e constatou que a aliança de reciprocidade com os tucanos não vale a pena, segundo relata Ilimar Franco. O PSDB quer o apoio em São Paulo e em Minas Gerais. Os socialistas perguntam: “Qual a contrapartida?”. Além disso, Campos e sua vice Marina Silva concluíram que a situação dos tucanos não é confortável entre os paulistas e os mineiros.

PAJEUZEIRO NO TRE -  O desembargador Alberto Nogueira, com origem em Afogados da Ingazeira, no Sertão do Pajeú, mostrou que tem liderança e prestígio com a categoria ao derrotar Jones Figueiredo na disputa pela presidência do Tribunal Regional Eleitoral. É o Pajeú revelando a sua força!

CURTAS

Na disputa – O líder da greve da PMPE, Joel da Harpa, é candidato a presidente da Associação Estadual dos Cabos e Soldados, entidade que movimenta por mês a bagatela de R$ 300 mil. Para quem está de olho numa vaga na Assembleia Legislativa, um tesouro!

CANCELAMENTO - O clima de insegurança instaurado pela greve da Polícia Militar de Pernambuco e do Corpo de Bombeiros levou os organizadores a cancelarem o lançamento do livro Reféns da Seca no município de Bezerros. O evento, que seria realizado na Câmara de Vereadores e incluído na programação oficial das festividades de emancipação política da cidade, precisou ser remarcado. A nova data ainda será discutida.

PERGUNTAR NÃO OFENDE: Quais os reais motivos que levaram os policiais militares em greve a cancelarem a paralisação?


'Não é bom favorecer o ímpio, e com isso, fazer o justo perder a questão'. (Provérbios 18-5)

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