TUDO A VER COM A BAHIA - A greve da Polícia Militar de Pernambuco,
que provocou um clima de tensão, horror e impotência na população, não foi
diferente da que ocorreu na Bahia, no mês passado. Ali, o movimento foi
liderado por um político, o vereador Marco Prisco (PSDB), que chegou a ser
preso pela Polícia Federal. Aqui, o líder também é político: José Maurino do
Carmo, o Joel da Harpa, suplente de vereador em Jaboatão dos Guararapes pelo
Partido Progressista (PP). O que se ouve nos bastidores, inclusive, é que ele
seria candidato a deputado estadual.
Na Bahia, durante a greve, foram
registrados 59 homicídios só em Salvador relacionados ao movimento. Houve
saques ao comércio e arrastões. Em Pernambuco, ainda não há notícias de morte
diretamente ligadas à greve, mas ocorreram saques, roubos, assaltos e
arrastões.
Só há uma diferença: enquanto na
Bahia o governador Jacques Wagner (PT) demorou a pedir socorro federal, em
Pernambuco o governador João Lyra Neto (PSB) agiu de imediato.
Ontem, dia seguinte aos arrastões
em Abreu e Lima e no Recife, o Exército já estava nas ruas para garantir a
segurança da população, que temendo ser vítima do descontrole no estado
provocado pela greve, ficou refugiada em casa. Comércio e repartições públicas
fecharam suas portas. Escolas suspenderam aulas e muita gente evitou sair de
casa. Mas com a chegada do Exército, a situação foi se normalizando, embora
houvesse, até então, 100% de segurança para se voltar à rotina.
Essa sensação de segurança deve
ser retomada aos poucos, agora, com o fim da greve, anunciado por volta das
20h00 de ontem.
Mas vale lembrar que esse
movimento, que tinha como um dos príncipios mais básicos um componente
econômico, teve também viés de natureza política. Assim como na Bahia, os
policiais militares de Pernambuco não conseguiram as vantagens tão almejadas,
porque, segundo o governo estadual, não se pode conceder nenhum tipo de
reajuste em ano eleitoral, ainda mais faltando apenas 180 dias para o pleito.
TENSÃO – Assim como no Recife e Região Metropolitana, o Interior
viveu, ontem, as tensões provocadas pela greve da Policia Militar. Em Belo
Jardim, com a adesão do 14º Batalhão ao movimento, o comércio fechou e pouca
gente se arriscou sair às ruas. Em Arcoverde, o comércio só funcionou pela
manhã, enquanto que em Garanhuns, os comerciantes só abriram seus
estabelecimentos depois que viu o Exército nas ruas.
FALTA ESTRUTURA – Componente
econômico à parte, o fato é que são bastante precárias as condições de
trabalho da polícia em Pernambuco: viaturas depenadas, sem rádio de
comunicação, telefones cortados, armas superadas, equipamentos quebrados,
enfim, problemas que se arrastam há muitos anos e o governo continua fazendo
vista grossa.
LONGE DO PP – Tão logo se espalhou ontem na mídia e nas redes
sociais a informação de que o líder da greve da PM, Joel da Harpa, tinha
vínculos partidários com o PP, o presidente estadual da legenda, Eduardo da
Fonte, cuidou de negar, afirmando que hoje ele não tem mais nenhuma ligação com
o partido. No entanto, dizem que o solado é uma pessoa bem próxima ao deputado
Cleiton Collins.
NÃO VALE A PENA - O candidato do PSB, Eduardo Campos, fez as contas
e constatou que a aliança de reciprocidade com os tucanos não vale a pena,
segundo relata Ilimar Franco. O PSDB quer o apoio em São Paulo e em Minas
Gerais. Os socialistas perguntam: “Qual a contrapartida?”. Além disso, Campos e
sua vice Marina Silva concluíram que a situação dos tucanos não é confortável
entre os paulistas e os mineiros.
PAJEUZEIRO NO TRE - O
desembargador Alberto Nogueira, com origem em Afogados da Ingazeira, no Sertão
do Pajeú, mostrou que tem liderança e prestígio com a categoria ao derrotar
Jones Figueiredo na disputa pela presidência do Tribunal Regional Eleitoral. É
o Pajeú revelando a sua força!
CURTAS
Na disputa – O líder da greve da PMPE, Joel da Harpa, é candidato a
presidente da Associação Estadual dos Cabos e Soldados, entidade que movimenta
por mês a bagatela de R$ 300 mil. Para quem está de olho numa vaga na
Assembleia Legislativa, um tesouro!
CANCELAMENTO - O clima de insegurança instaurado pela greve da
Polícia Militar de Pernambuco e do Corpo de Bombeiros levou os organizadores a
cancelarem o lançamento do livro Reféns da Seca no município de Bezerros. O
evento, que seria realizado na Câmara de Vereadores e incluído na programação
oficial das festividades de emancipação política da cidade, precisou ser
remarcado. A nova data ainda será discutida.
PERGUNTAR NÃO OFENDE: Quais os reais motivos que levaram os
policiais militares em greve a cancelarem a paralisação?
'Não é bom favorecer o ímpio, e com isso, fazer o justo perder a
questão'. (Provérbios 18-5)



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