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| Arrependida, muita gente devolveu produto saqueado à Polícia Foto: Michele Souza/JC Imagem |
Lojistas de Abreu e Lima, na
Região Metropolitana, cujos estabelecimentos foram saqueados nos últimos dias
14 e 15 passados, durante greve da Polícia Militar, podem começar a receber de
volta algumas mercadorias ainda nesta segunda-feira (19). Durante o final de
semana, muitos produtos foram devolvidos ou abandonados pelas ruas da cidade,
chegando a encher um caminhão-baú e a se espalhar pelos cômodos da delegacia
local. A identificação e ouvida dos saqueadores começa a ser feita, hoje, por
meio de uma força-tarefa da Polícia Civil.
“Vou me reunir com o delegado Luiz Andrey
(gestor da Delegacia Integrada Metropolitana) para definir a logística desse
trabalho, logo cedo, pois nós não temos estrutura física nem de pessoal”,
informou Alberes Félix. “Um lojista nos cedeu um caminhão e ele já está
lacrado. Mas as mercadorias continuam chegando. Quem vem entregar deixa nome,
endereço e telefone, diz de onde tirou o produto e marca uma data para prestar
depoimento, levando um recibo da entrega”.
De acordo com o delegado, as
pessoas que estão devolvendo as mercadorias roubadas não são autuadas em
flagrante e podem ser beneficiadas juridicamente pelo que a legislação chama de
“arrependimento eficaz”, quando o efeito do crime é anulado. “Vai depender do
entendimento do juiz. Ele pode diminuir a pena ou até mesmo optar por não
aplicá-la”.
No caso de quem está abandonando
as mercadorias na rua, a situação fica mais complicada, pois a pessoa terá de
provar o que fez com o produto do roubo. Diversas geladeiras, máquinas de
lavar, aparelhos de ar-condicionado foram deixados pelas esquinas e recolhidos
pela Polícia Militar. Essas mercadorias deverão ter sua origem identificada
pelos lojistas, por meio de códigos e números de série. Ontem também foram
feitos três flagrantes, após denúncia de vizinhos.
A polícia continua recolhendo
imagens de TVs, jornais, sites e redes sociais para identificar os saqueadores.
Quem comprar produto roubado também poderá responder criminalmente. Os crimes
variam entre furto (um a quatro anos de reclusão), roubo (quatro a dez anos),
receptação (um a quatro anos) e receptação qualificada (três a oito anos).
Para reforçar as investigações
sobre os responsáveis pelos saques e vandalismo em Abreu e Lima e Paulista, o
governador João Lyra Neto também vai receber, hoje, imagens obtidas pela
Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco
(Fecomércio-PE). O material será entregue pelo procurador-geral de Justiça,
Aguinaldo Fenelon, que estará no Palácio do Campo das Princesas, às 15h. A
ideia é ajudar a agilizar as investigações. O Ministério Público de Pernambuco
(MPPE) informa que vai acompanhar de perto a apuração realizada em todo o
Estado, para que não haja impunidade.
NE10

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