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Quem são e de onde vêm os ciganos?
Ainda hoje, a origem desse povo continua envolta em
mistério. Suas histórias sempre foram transmitidas de geração para geração pela
tradição oral, o que cria muitas lendas e não deixa registros precisos. Alguns
especialistas acreditam que eles surgiram na Índia, já que o idioma falado pelos
ciganos tem muitas semelhanças com várias línguas do subcontinente indiano. Mas
também existem indícios que apontam para outra região.
"Nas antigas lendas ciganas, constatamos referências bíblicas que podem nos direcionar a uma origem na Caldéia (região que hoje pertence ao Iraque) e não na Índia. Outro ponto significativo é a crença em um único Deus criador, Devel, o que os aproxima da história de povos semitas, ao contrário do que seria esperado de uma origem indiana, com suas várias divindades", afirma a geógrafa Solange Lima Guimarães, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), autora de uma tese de doutorado sobre os ciganos.
"Nas antigas lendas ciganas, constatamos referências bíblicas que podem nos direcionar a uma origem na Caldéia (região que hoje pertence ao Iraque) e não na Índia. Outro ponto significativo é a crença em um único Deus criador, Devel, o que os aproxima da história de povos semitas, ao contrário do que seria esperado de uma origem indiana, com suas várias divindades", afirma a geógrafa Solange Lima Guimarães, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), autora de uma tese de doutorado sobre os ciganos.
Caso eles possuam mesmo raízes no Oriente Médio, é provável
que tenham surgido alguns milênios antes de Cristo. Qualquer que seja o ponto
de partida, sabe-se que eles se deslocaram do Oriente para o Ocidente até
chegarem à Europa no fim do século XIV. Nessa época, os ciganos foram
perseguidos pela Inquisição, o tribunal da Igreja Católica que julgava crimes
contra a fé.
Como conviviam tanto com mouros quanto com cristãos, os ciganos oscilavam do paganismo ao cristianismo, o que bastava para serem acusados de heresia. O pior é que os preconceitos em relação à religiosidade, à cultura e ao modo de vida nômade desse povo não ficaram restritos à Idade Média. Séculos mais tarde, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os alemães mataram cerca de 400 mil ciganos, vítimas da ideologia nazista que defendia uma raça supostamente pura, a ariana, na Europa.
Como conviviam tanto com mouros quanto com cristãos, os ciganos oscilavam do paganismo ao cristianismo, o que bastava para serem acusados de heresia. O pior é que os preconceitos em relação à religiosidade, à cultura e ao modo de vida nômade desse povo não ficaram restritos à Idade Média. Séculos mais tarde, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os alemães mataram cerca de 400 mil ciganos, vítimas da ideologia nazista que defendia uma raça supostamente pura, a ariana, na Europa.
Hoje, calcula-se que existam de 2 a 5 milhões de ciganos no
mundo, concentrados principalmente na Europa Central, em países como as
Repúblicas Checa e Eslovaca, Hungria, Iugoslávia, Bulgária e Romênia. Durante
as andanças pelo mundo, eles influenciaram a cultura de várias regiões. Um bom
exemplo vem da Espanha, onde a rica tradição da música e da dança ciganas deu
origem ao flamenco.
Migração intercontinental
Os ciganos só chegaram à Europa no século XIV
Não se sabe se os ciganos surgiram na Índia ou no atual Iraque, mas de um desses dois pontos eles rumaram para o Ocidente, chegando à Europa pela região da Armênia, por volta do século XIV. De lá, atravessaram o continente até alcançarem as ilhas britânicas e a península Ibérica. No século XVII, os ciganos já haviam se espalhado por todos os países da Europa e deles seguiram para colônias na América e na África. O documento mais antigo referente à presença dos ciganos no Brasil é de 1574.

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