quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Com a lei mulheres denunciam mais

Há sete anos a Lei Maria da Penha mudava de uma vez por todas o tratamento ao crime de violência cometida contra as mulheres no Brasil. 

A legislação reafirmava a necessidade de uma atenção maior a elas no Código Penal. Em Pernambuco, com os avanços no âmbito jurídico e policial, que ganharam varas e delegacias especializadas, o que se verifica ano a ano é um aumento no número de queixas de agressões e ameaças. 

O balanço neste aniversário é que o crime passou a ser mais denunciado às autoridades. O Judiciário pernambucano conta com 50 mil processos.

A juíza da 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher do Recife, Maria Tereza Machado, relembrou que na época de sua implantação, em 2007, a lei chegou a ser boicotada por alguns magistrados. “Alguns juízes entenderam que ela era inconstitucional, já que todos seriam iguais perante a Constituição Federal. 

Mas isso já foi totalmente superado”, comemorou. Na avaliação dela, o Código Penal era insuficiente para coibir a violência doméstica, fato conseguido pela Maria da Penha. Com o novo entendimento sobre os direitos, o que se vê são varas lotadas de processos relativos a agressões e ameaças.

A chefe do Departamento de Polícia da Mulher do Estado, Lenise Valentim, destacou que Pernambuco sempre foi pioneiro na atenção de gênero. “Tivemos a segunda Delegacia da Mulher do Brasil, em 1986. Até 2006 eram quatro, e de 2006 para cá estamos com dez”, contabilizou. 

A delegada creditou o sucesso da lei à credibilidade que a rede de assistência e serviços ganhou ao longo desses anos, e permitem que a mulher denuncie os crimes com maior segurança e atenção.

Uma dessas vítimas que deixou o medo e a vergonha de lado foi uma produtora cultural do Recife, de 37 anos. Depois de um rompimento amoroso em 2012, começou a ser ameaçada e perseguida pelo ex-namorado. “Eu vivi um inferno. Tinha medo de tudo. Passei quase seis meses sem sair de casa”, relembrou. Hoje, a produtora conta com uma medida protetiva, que determina o afastamento do ex, sob pena de prisão do mesmo, e tenta retomar a vida normal.


Folha PE

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