| Foto: Tahiane Stochero / G1 |
Esposa, netas, filhas e o filho
de Adib Jatene, Marcelo, que também é cardiologista, acompanham o velorio do
ex-ministro no anfiteatro do Hospital do Coração, em São Paulo
Está sendo velado desde a manhã
deste sábado (15) no anfiteatro do Hospital do Coração, em São Paulo, o corpo
do médico e ex-ministro da Saúde Adib Jatene. Ele morreu na noite de
sexta-feira (14), aos 85 anos. Segundo o hospital, a causa da morte foi infarto
agudo do miocárdio. O enterro está marcado para esta tarde no Cemitério do
Araçá, também na capital paulista.
Alexandre Padilha, que neste ano
concorreu ao governo de São Paulo pelo PT, mas perdeu, lamentou a perda de
Jatene.
"Perdemos uma das figuras
mais humanas que eu conheci na minha vida. Adib era humano e respeitoso em
defesa de suas opiniões, nas críticas, no cuidado com seus pacientes. Mas
também quando brincava com suas engenhocas, ele gostava de criar peças,
próteses e válvulas que salvaram muitas vidas", disse Padilha ao G1.
"É uma das mentes mais humanas que já vi. O professor Adib Jatene era mais
do que tudo especialista em gente".
A presidente Dilma Rousseff e o
Ministério da Saúde divulgaram notas de pesar.
Em 22 de setembro deste ano,
Jatene havia sido internado também após sofrer um infarto. Em maio de 2012, o
médico já havia sido internado com dores no peito e passado por um cateterismo.
No procedimento, ele precisou colocar um stent (prótese metálica para a
desobstrução de artérias).
Jatene era diretor-geral do HCor
e um dos pioneiros da cirurgia do coração no Brasil. Ele deixa quatro filhos –
os também médicos Ieda, Marcelo e Fábio, além da arquiteta Iara – e a mulher
Aurice Biscegli Jatene.
Médico e ministro
| Foto: Hélvio Romero/Estadão Conteúdo |
Acriano de Xarupi, Jatene era
filho de um seringueiro libanês e de uma dona de armarinho. Quando criança, a
família se mudou para Uberaba, em Minas Gerais, e, depois, para São Paulo.
Na
capital paulista, estudou na Universidade de São Paulo (USP), formando-se aos
23 anos pela Faculdade de Medicina. A residência e pós-graduação foram feitas
no Hospital das Clínicas da mesma faculdade, sob a orientação do professor
Euríclides de Jesus Zerbini (1912-1993), pioneiro dos transplantes de coração
no país.
Com mais de 20 mil cirurgias no
currículo, se destacou também por ter sido o primeiro a realizar a cirurgia de
ponte de safena no Brasil e por ter inventado aparelhos e equipamentos médicos.
Em Uberaba (MG), lecionou Anatomia Topográfica da Faculdade de Medicina do
Triângulo Mineiro.
Neste período, construiu seu primeiro modelo de
coração-pulmão artificial. Em São Paulo, trabalhou no Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina da USP e como cirurgião no Instituto Dante Pazzanese de
Cardiologia da Secretaria de Estado da Saúde.
Na política, apesar de não ter se filiado a
partidos, atuou como secretário estadual da Saúde de São Paulo (1979-1982), no governo
de Paulo Maluf, e duas vezes como ministro, na mesma área, nas gestões Fernando
Collor (1992, por oito meses) e Fernando Henrique Cardoso (1995-1996, por 22
meses).
No governo de FHC, criou a Contribuição Provisória Sobre Movimentação
Financeira (CPMF), para ajudar a financiar a saúde brasileira, e deu
continuidade ao projeto dos medicamentos genéricos e ao programa de combate à
Aids. Foi membro da Academia Nacional de Medicina e autor e co-autor de cerca
de 700 trabalhos científicos publicados na literatura nacional e internacional.
Dono de uma coleção particular de quadros, com obras de Di
Cavalcanti, Alfredo Volpi e Tarsila do Amaral, presidiu o conselho deliberativo
do Museu de Arte de São Paulo (Masp).
Secretário da Saúde lamenta
Por meio de nota, o secretário de Estado de Saúde de São Paulo,
David Uip, disse que a "perda do professor e ministro Adib Jatene é motivo
de absoluta tristeza" e que "a saúde pública está em luto". O
secretário ainda destacou o papel de Jatene "para a consolidação do SUS em
São Paulo e no Brasil".
Do G1
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