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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Nove em cada dez municípios não atingem meta de aprendizado, mostra levantamento

Aproximadamente nove em cada dez municípios brasileiros não atingiram o percentual mínimo de alunos com desempenho adequado em matemática no 9º ano do ensino fundamental, segundo os parâmetros do movimento Todos pela Educação para 2013. De acordo com o movimento, 10,8% dos municípios atingiram a meta intermediária calculada para que, em 2022, bicentenário da Independência do Brasil, pelo menos 70% dos alunos tenham aprendizado adequado. 

O Todos pela Educação considerou os resultados da Prova Brasil de 2013, os últimos disponíveis. Em matemática, 10,8% atingiram a meta intermediária. Em português, esse percentual foi 29,6% dos municípios.  As metas variam de acordo com o ano, a disciplina e a localidade. As metas intermediárias podem ser consultadas no site do movimento.
Desde 2011, o movimento tem verificado a queda do percentual dos municípios que conseguem cumprir as metas intermediárias em ambas as disciplinas. Para se ter ideia, em 2009,  83,7% dos municípios cumpriram a meta para o ano em português no fim do ensino fundamental e 42,7% em matemática.

"Não é que os municípios estejam piorando, mas o que estamos observando é que não estamos melhorando", analisa a coordenadora-geral do Todos Pela Educação, Alejandra Meraz Velasco. "Isso acende um alerta. Tinha-se a expectativa de que os bons resultados que vêm sendo observados nos anos iniciais teriam repercussão nos anos finais, que começariam a melhorar, mas não é isso que vem se verificando. Chega ao ensino médio um aluno que não tem condições de acompanhar a etapa", acrescenta.

O Brasil não tem, oficialmente, metas claras do que deve ser aprendido em cada nível de ensino. Em matemática, no 9º ano, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) considera nove níveis de desempenho na Prova Brasil, sem definir qual é o adequado. Para o movimento Todos pela Educação, o desempenho adequado é igual ou maior que 300, que corresponde, no mínimo, ao nível cinco do Inep. Para português, o desempenho considerado adequado é igual ou superior a 275, que corresponde no mínimo ao nível quatro dos oito considerados pelo Inep.

Segundo Alejandra, "não há bala de prata para solucionar a questão". Ela defende que esses resultados reforçam que é preciso pensar políticas públicas específicas para os anos finais do ensino fundamental. A formação de professores e a definição de uma base nacional comum seriam questões-chave. "A formação dos professores é, sem dúvida, a mais importante, a que mais se aproxima de uma bala de prata. Uma base nacional comum ajuda a definir melhor o currículo de formação dos professores e ajuda o professor a ter clareza do que trabalhar em sala, além dos pais, a terem uma ideia mais objetiva do que deve cobrar da escola".


Nos anos iniciais do ensino fundamental, segundo o movimento, 48% dos municípios atingiram a meta intermediária para o ano em português e 61,7%, em matemática, com base no desempenho do 5º ano.

Agencia Brasil

domingo, 3 de junho de 2012

"O GRANDE DESAFIO DO BRASIL É A EDUCAÇÃO BÁSICA", DIZ MEMBRO DO TODOS PELA EDUCAÇÃO

Do Diário de Pernambuco
imagem: janeayresouto.com.br

A educação é a chave do crescimento econômico das nações. Com o Brasil não é diferente. Sétima economia do mundo, o país tem que fazer o dever de casa do ensino básico para dar o salto de qualidade na formação de mão de obra. Começa nos anos iniciais do pré-escolar, onde é sedimentada a base do conhecimento. Nesse contexto, o professor é a peça fundamental para fazer a revolução da educação. A mudança passa pela reformulação dos currículos dos cursos de licenciatura, pedagogia e letras. Menos teoria e mais prática de ensino.

Nesta entrevista exclusiva, o professor Mozart Neves Ramos, membro do Conselho Consultivo do movimento Todos pela Educação, aponta os caminhos para o resgate da escola pública através da valorização do magistério, de melhores salários e investimentos públicos na educação. Ele cobra das universidades a participação efetiva dos mestres na formação dos alunos das escolas públicas, que têm nas mãos a responsabilidade de ensinar os futuros professores.

Como a formação do professor interfere na formação do aluno?
A qualidade da aprendizagem está essencialmente vinculada à qualidade de formação do professor. O que a gente observa hoje no Brasil, e os estudos mostram claramente, é que a formação do professor está muito aquém do necessário para que o desempenho do aluno seja alcançado. Ou seja, o rofessor hoje recebe uma formação que não está dentro da realidade da escola pública.

Qual o papel da universidade na formação do professor e na qualidade do ensino?
A educação básica, infelizmente, não está na agenda de prioridades da universidade. Esse distanciamento tem levado a uma formação que não se coaduna com os desafios da escola pública. Consequentemente, a formação não está sendo apropriada. Quando o professor vai para a prática do ensino e para a realidade em sala de aula, existe um grande vazio entre a universidade e a educação básica. Para garantir o bom desempenho do aluno em sala de aula, a gente tem que assegurar uma boa formação dos nossos professores.