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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

POEMA DE MÁRIO QUINTANA

www.fastbooks.com.br
http://www.mensagenscomamor.com


Minha vida não foi um romance...
Nunca tive até hoje um segredo.
Se me amar, não diga, que morro
De surpresa...
De encanto...
De medo... 

Minha vida não foi um romance...
Minha vida passou por passar.
Se não amas, não finjas, que vivo
Esperando um amor para amar. 

Minha vida não foi um romance...
Pobre vida...
Passou sem enredo...
Glória a ti que me enches de vida
De surpresa...
De encanto...
De medo! 

Minha vida não foi um romance...
Ai de mim...
Já se ia acabar! 
Pobre vida que toda depende
De um sorriso...
De um gesto...
Um olhar...

domingo, 1 de julho de 2012

SONETO DE FIDELIDADE - VINICIUS DE MORAES

http://letras.mus.br/vinicius-de-moraes/86563/

imagem:  life-in-picture.tumblr.com (do filme Meu Primeiro Amor)

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Para PJ (por toda minha vida...)


Vídeo do You Tube

domingo, 22 de abril de 2012

METADE – OSWALDO MONTENEGRO

Do You Tube
 
imagem: youtube.com

Que a força do medo que tenho, não me impeça de ver o que anseio. Que a morte de tudo em que acredito, não me tape os ouvidos e a boca. Porque metade de mim é o que eu grito, mais a outra metade é silêncio...


Que a música que eu ouço ao longe, seja linda, ainda que a tristeza. Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada, mesmo que distante. Porque metade de mim é partida, mais a outra é saudade...


Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece, e nem repetidas com fervor. Apenas respeitadas, como a única coisa que resta ao homem inundado de sentimentos. Porque metade de mim é o que eu ouço, mais a outra metade é o que eu calo...


Que essa minha vontade de ir embora, se transforme na calma e na paz que eu mereço. E que essa tensão que me corrói por dentro, seja um dia recompensada. Porque metade de mim é o que penso, mais a outra metade é um vulcão...


Que o medo da solidão se afaste e que o convívio comigo mesmo, se torne ao menos, suportável. Que o espelho reflita em meu rosto, um doce sorriso que eu me lembro ter dado na infância. Porque metade de mim é a lembrança do que fui e a outra metade eu não sei...


Que não seja preciso mais do que uma simples alegria, para me fazer aquietar o espírito. E que o teu silêncio me fale cada vez mais. Porque metade de mim é abrigo, mais a outra metade é cansaço...


Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba. E que ninguém atente complicar, porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer. Porque metade de mim é plateia e a outra metade é canção... E que a minha loucura seja perdoada. Porque metade de mim é AMOR. E a outra metade, TAMBÉM...

terça-feira, 10 de abril de 2012

A HORA ÍNTIMA - VINICIUS DE MORAES

Do Letras Terra
imagem: sorvetedemorfina.blogspot.com


Quem pagará o enterro e as flores se eu me morrer de amores?
Quem, dentre amigos, tão amigo para estar no caixão comigo?
Quem, em meio ao funeral dirá de mim: - Nunca fez mal...
Quem, bêbedo, chorará em voz alta de não me ter trazido nada?


Quem virá despetalar pétalas no meu túmulo de poeta?
Quem jogará timidamente na terra um grão de semente?
Quem elevará o olhar covarde até a estrela da tarde?
Quem me dirá palavras mágicas capazes de empalidecer o mármore?

Quem, oculta em véus escuros se crucificará nos muros?
Quem, macerada de desgosto sorrirá: - Rei morto, rei posto...
Quantas, debruçadas sobre o báratro sentirão as dores do parto?
Qual a que, branca de receio tocará o botão do seio?

Quem, louca, se jogará de bruços a soluçar tantos soluços que há de despertar receios?
Quantos, os maxilares contraídos, o sangue a pulsar nas cicatrizes, dirão: - Foi um doido amigo...
Quem, criança, olhando a terra, ao ver movimentar-se um verme, observará um ar de critério?
Quem, em circunstância oficial há de propor meu pedestal?

Quais os que, vindos da montanha terão circunspecção tamanha que eu hei de rir branco de cal?
Qual a que, o rosto sulcado de vento lançará um punhado de sal na minha cova de cimento?
Quem cantará canções de amigo no dia do meu funeral?
Qual a que não estará presente por motivo circunstancial?

Quem cravará no seio duro uma lâmina enferrujada?
Quem, em seu verbo inconsútil, há de orar: - Deus o tenha em sua guarda.
Qual o amigo que a sós, consigo, pensará: - Não há de ser nada...
Quem será a estranha figura a um tronco de árvore encostada com um olhar frio e um ar de dúvida?
Quem se abraçará comigo que terá de ser arrancada?
Quem vai pagar o enterro e as flores se eu me morrer de amores?