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terça-feira, 22 de maio de 2012

O HOMEM E A MULHER – VICTOR MARIE HUGO

imagem: guerreiradejeova.blogspot.com


O homem é a mais elevada das criaturas;
A mulher é o mais sublime dos ideais.

O homem é o cérebro;
A mulher é o coração.
O cérebro fabrica a luz;
O coração, o AMOR.
A luz fecunda, o amor ressuscita.

O homem é forte pela razão;
A mulher é invencível pelas lágrimas.
A razão convence, as lágrimas comovem.

O homem é capaz de todos os heroísmos;
A mulher, de todos os martírios.
O heroísmo enobrece, o martírio sublima.

O homem é um código;
A mulher é um evangelho.
O código corrige; o evangelho aperfeiçoa.

O homem é um templo; a mulher é o sacrário.
Ante o templo nos descobrimos;
Ante o sacrário nos ajoelhamos.

O homem pensa; a mulher sonha.
Pensar é ter, no crânio, uma larva;
Sonhar é ter, na fronte, uma auréola.


O homem é um oceano; a mulher é um lago.
O oceano tem a pérola que adorna;
O lago, a poesia que deslumbra.

O homem é a águia que voa;
A mulher é o rouxinol que canta.
Voar é dominar o espaço;
Cantar é conquistar a alma.


Enfim, o homem está colocado onde termina a terra;
A mulher, onde começa o céu.

DESEJO “OS VOTOS” - SÉRGIO JOCKYMANN

imagem: joanasmoliveira.blogspot.com


Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.


Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.


domingo, 22 de abril de 2012

METADE – OSWALDO MONTENEGRO

Do You Tube
 
imagem: youtube.com

Que a força do medo que tenho, não me impeça de ver o que anseio. Que a morte de tudo em que acredito, não me tape os ouvidos e a boca. Porque metade de mim é o que eu grito, mais a outra metade é silêncio...


Que a música que eu ouço ao longe, seja linda, ainda que a tristeza. Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada, mesmo que distante. Porque metade de mim é partida, mais a outra é saudade...


Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece, e nem repetidas com fervor. Apenas respeitadas, como a única coisa que resta ao homem inundado de sentimentos. Porque metade de mim é o que eu ouço, mais a outra metade é o que eu calo...


Que essa minha vontade de ir embora, se transforme na calma e na paz que eu mereço. E que essa tensão que me corrói por dentro, seja um dia recompensada. Porque metade de mim é o que penso, mais a outra metade é um vulcão...


Que o medo da solidão se afaste e que o convívio comigo mesmo, se torne ao menos, suportável. Que o espelho reflita em meu rosto, um doce sorriso que eu me lembro ter dado na infância. Porque metade de mim é a lembrança do que fui e a outra metade eu não sei...


Que não seja preciso mais do que uma simples alegria, para me fazer aquietar o espírito. E que o teu silêncio me fale cada vez mais. Porque metade de mim é abrigo, mais a outra metade é cansaço...


Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba. E que ninguém atente complicar, porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer. Porque metade de mim é plateia e a outra metade é canção... E que a minha loucura seja perdoada. Porque metade de mim é AMOR. E a outra metade, TAMBÉM...

terça-feira, 10 de abril de 2012

A HORA ÍNTIMA - VINICIUS DE MORAES

Do Letras Terra
imagem: sorvetedemorfina.blogspot.com


Quem pagará o enterro e as flores se eu me morrer de amores?
Quem, dentre amigos, tão amigo para estar no caixão comigo?
Quem, em meio ao funeral dirá de mim: - Nunca fez mal...
Quem, bêbedo, chorará em voz alta de não me ter trazido nada?


Quem virá despetalar pétalas no meu túmulo de poeta?
Quem jogará timidamente na terra um grão de semente?
Quem elevará o olhar covarde até a estrela da tarde?
Quem me dirá palavras mágicas capazes de empalidecer o mármore?

Quem, oculta em véus escuros se crucificará nos muros?
Quem, macerada de desgosto sorrirá: - Rei morto, rei posto...
Quantas, debruçadas sobre o báratro sentirão as dores do parto?
Qual a que, branca de receio tocará o botão do seio?

Quem, louca, se jogará de bruços a soluçar tantos soluços que há de despertar receios?
Quantos, os maxilares contraídos, o sangue a pulsar nas cicatrizes, dirão: - Foi um doido amigo...
Quem, criança, olhando a terra, ao ver movimentar-se um verme, observará um ar de critério?
Quem, em circunstância oficial há de propor meu pedestal?

Quais os que, vindos da montanha terão circunspecção tamanha que eu hei de rir branco de cal?
Qual a que, o rosto sulcado de vento lançará um punhado de sal na minha cova de cimento?
Quem cantará canções de amigo no dia do meu funeral?
Qual a que não estará presente por motivo circunstancial?

Quem cravará no seio duro uma lâmina enferrujada?
Quem, em seu verbo inconsútil, há de orar: - Deus o tenha em sua guarda.
Qual o amigo que a sós, consigo, pensará: - Não há de ser nada...
Quem será a estranha figura a um tronco de árvore encostada com um olhar frio e um ar de dúvida?
Quem se abraçará comigo que terá de ser arrancada?
Quem vai pagar o enterro e as flores se eu me morrer de amores?