Do G1, em Brasília
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Sob
um sol intenso, milhares de evangélicos (40 mil, de acordo com o comando da
Polícia Militar; 70 mil, segundo os organizadores) ocuparam nesta quarta-feira
(5) os gramados da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para protestar
contra a descriminalização do aborto e o casamento gay e pedir liberdade de
expressão religiosa.
O
palco montado em frente ao Congresso Nacional atraiu líderes evangélicos,
políticos de vários partidos e artistas gospel. O
evento organizado pelo pastor Silas Malafaia, um dos líderes da igreja
Assembleia de Deus, foi realizado em um dos dias de maior movimentação no
Legislativo. Dezenas de parlamentares ligados à bancada evangélica se revezaram
para discursar no ato religioso.
Um
dos temas mais recorrentes dos oradores do evento foi o casamento entre casais
homoafetivos. Recentemente, decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
determinou que os cartórios do país oficializem casamentos entre pessoas do
mesmo sexo.
A
sociedade é livre para criticar evangélico, criticar católico, criticar
deputado. Agora, se criticar a prática homossexual é homofobia." Pastor
Silas Malafaia, organizador da manifestação. Durante
as manifestações ao público aglomerado diante do palco, os líderes evangélicos
criticaram os esforços de parlamentares ligados a movimentos sociais de tentar
criminalizar a homofobia.
Os
pastores e políticos defenderam que qualquer cidadão tenha o direito de se
expressar contra as uniões entre homossexuais. Durante o evento, alguns
defensores dos direitos dos homossexuais chegaram a bater boca com evangélicos.
A polícia interveio e controlou a situação.
Para
Silas Malafaia, “o ativismo gay quer criminalizar a opinião”. O pastor
evangélico ressaltou que, na opinião dele, “não existe delito de opinião”.
“Não
existe opinião homofóbica. Existe homofobia. A sociedade é livre para criticar
evangélico, criticar católico, criticar deputado. Agora, se criticar a prática
homossexual é homofobia. Vai ver se eu estou na esquina", discursou
Malafaia.
Alvo
de protestos por conta de declarações publicadas em redes sociais consideradas
racistas e homofóbicas, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara,
deputado Marco Feliciano (PSC-SP), disse que os críticos do casamento
homossexual não lutam contra os gays, e sim “a favor da família”.
“[O
evento] é uma resposta aos governantes e a todas as pessoas que chamam de
progresso aquilo que não é, que é retrocesso. A família é a base de toda a
sociedade. A minha permanência na Comissão de Direitos Humanos é a favor da
família. Eu mostrei isso sem xingamento, sem briga, sem nada”, afirmou
Feliciano.
Louvor e
discursos
O
evento evangélico teve início com breve discurso do pastor Silas Malafaia, que
defendeu a “família tradicional” e a liberdade religiosa. Em seguida, o público
ouviu de pé o Hino Nacional. Vários evangélicos carregavam bandeiras, a maioria
com mensagens em defesa do casamento heterossexual e contra o aborto.
Após
pregações de vários pastores, Silas Malafaia voltou ao palco para um último
discurso antes dos shows de bandas gospel. O pastor da Assembleia de Deus fez
duras críticas a decisões do Supremo Tribunal Federal, defendeu o direito de
protestar contra a união homossexual e condenou o aborto.
[O
evento] é uma resposta aos governantes e a todas as pessoas que chamam de
progresso aquilo que não é, que é retrocesso." Deputado Marco Feliciano
(PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara
No
discurso, Malafia afirmou que o “ativismo gay” é “lixo moral”.
“Eles nos chamam
de fundamentalistas. Fundamentalistas porque defendemos a família, defendemos
valores morais, somos contra as drogas. Sabe o que eles são? Os
fundamentalistas do lixo moral! Escreve aí que o pastor Silas Malafaia chamou o
ativismo gay de fundamentalismo do lixo moral”, disse.
O
pastor criticou o Supremo Tribunal Federal por ter considerado constitucional a
união civil entre pessoas do mesmo sexo, e o Conselho Nacional de Justiça por
ter determinado que cartórios realizem casamento civil de homossexuais.
“O
Supremo, que nós sustentamos, na caneta deu o casamento gay. O CNJ obriga
cartório a casar. Uma mudança de paradigma tem que ser feita ou no Congresso ou
por plebiscito. Isso é uma vergonha! Isso é uma afronta à sociedade, é uma
afronta à maioria.”
Malafaia
também criticou o advogado constitucionalista Luís Roberto Barroso, indicado
pela presidente Dilma Rousseff para uma vaga no Supremo. A indicação foi
aprovada nesta quarta pelo plenário do Senado. Barroso atuou como advogado no
STF pela defesa da união homoafetiva e a liberação do aborto de anencéfalos.
“Agora
mesmo estão sabatinando o novo candidato ao Supremo. O cara diz: 'Sou a favor do
aborto porque as mulheres sofrem'. Eu nunca vi uma resposta imbecil como essa.
Diga a ele que qualquer tipo de aborto traz sofrimento para a mulher. Diga a
ele, que defendeu gay como advogado, é ele que defende aborto”, afirmou
Malafaia.
Malafaia
também defendeu o deputado Marco Feliciano (PSC-SP). “Esse jogo contra
Feliciano não é contra ele, é contra nós. Esses deputados hipócritas que
defenderam tirar o Feliciano defendem o aborto.”
Ele
criticou ainda tentativas de regulamentar a atividade da imprensa. "Esses
esquerdopatas querem controlar a imprensa. Estão pensando que somos uma
Bolívia, uma Venezuela. Aqui não! Aqui é imprensa livre. Os esquerdopatas
querem um novo marco regulatório para controlar a imprensa, o Estado e a
sociedade. Querem colocar a mão na gente, querem colocar a mão em nós. E
ninguém vai nos calar. Para calar a nossa voz, vai ter que rasgar a
Constituição do Brasil." Malafaia encerrou o discurso dizendo que os
evangélicos voltarão a se reunir em Brasília se for preciso protestar.

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