domingo, 22 de setembro de 2013

Crack: um “demônio” que suga existências


A recente pesquisa divulgada pela Fundação Oswaldo Cruz apontou a região Nordeste como a que possui o maior índice de usuários de crack, o que revela a necessidade de ações que invertam este cenário. 

Apesar dos dados ainda não revelarem os percentuais estaduais, o problema, em Pernambuco, é mais do que grave. Uma família sofre o drama não apenas de conviver com o vício, mas também de não conseguir internar um adolescente de apenas 15 anos, que há três meses é usuário da droga.

 Apesar do reforço dos governos federais e estaduais em programas para combater a dependência química, ainda há muito a ser feito, principalmente, no que diz respeito à reinserção social desses dependentes.

A irmã do rapaz, que será identificada apenas pelas iniciais S.S., conta que após ser flagrado utilizando a droga, o adolescente foi taxativo: não conseguia mais se controlar. Desesperados, os familiares procuraram um Centro de Atenção Psicossocial (Caps), em Camaragibe, mas não conseguiram interná-lo. Foram ao Centro Integrado da Criança e do Adolescente, sem êxito. O motivo da recusa de ajuda que a deixou perplexa: ele não poderia ser atendido por ser menor.

Segundo Antônio César, gerente da política municipal recifense sobre drogas, existem procedimentos para acolher menores. Eles não podem ser atendidos em qualquer Caps, a família teria que se dirigir ao Luiz Cerqueira, em Santo Amaro, onde passaria por avaliação e seria reencaminhado para outra unidade próxima a sua casa. Ou seja: a burocracia impera onde a agilidade deveria se fazer presente. Enquanto isso, a situação do familiar só piora. “Ele está agressivo, magro, não come, não bebe água. Vendeu todas as coisas dele para comprar a droga”, diz a irmã.

No âmbito municipal, os Caps realizam o acompanhamento dos dependentes químicos, através de uma equipe interdisciplinar, composta por assistentes sociais, psicólogos, pedagogos, entre outros. Porém, de nada adianta cumprir todas as etapas do tratamento se não será dado ao usuário a garantia da reinserção social. De acordo com a opinião da psicóloga Conceição Vasconcelos, que atua no Centro Eulâmpio Cordeiro de Recuperação Humana, uma das unidades do Caps, a situação de vulnerabilidade é o grande desafio dos profissionais.

“Eles já vêm com os laços familiares fragilizados ou rompidos. Temos muitos usuários em situação de rua e isso é muito ruim. A maioria também não possui vínculo empregatício e tem baixa escolaridade”, afirmou Conceição. A junção dessas particularidades pode ser responsável pela reincidência de alguns dependentes, como atentou a psicóloga. “Não são todos os casos, mas às vezes parece um ciclo. A dependência não tem cura. Ela só é controlada”, disse.

Folha de PE

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