A recente pesquisa divulgada pela
Fundação Oswaldo Cruz apontou a região Nordeste como a que possui o maior
índice de usuários de crack, o que revela a necessidade de ações que invertam
este cenário.
Apesar dos dados ainda não revelarem os percentuais estaduais, o problema, em Pernambuco, é mais do que grave. Uma família sofre o drama não apenas de conviver com o vício, mas também de não conseguir internar um adolescente de apenas 15 anos, que há três meses é usuário da droga.
Apesar do reforço dos governos federais e estaduais em programas para combater a dependência química, ainda há muito a ser feito, principalmente, no que diz respeito à reinserção social desses dependentes.
Apesar dos dados ainda não revelarem os percentuais estaduais, o problema, em Pernambuco, é mais do que grave. Uma família sofre o drama não apenas de conviver com o vício, mas também de não conseguir internar um adolescente de apenas 15 anos, que há três meses é usuário da droga.
Apesar do reforço dos governos federais e estaduais em programas para combater a dependência química, ainda há muito a ser feito, principalmente, no que diz respeito à reinserção social desses dependentes.
A irmã do rapaz, que será
identificada apenas pelas iniciais S.S., conta que após ser flagrado utilizando
a droga, o adolescente foi taxativo: não conseguia mais se controlar.
Desesperados, os familiares procuraram um Centro de Atenção Psicossocial
(Caps), em Camaragibe, mas não conseguiram interná-lo. Foram ao Centro
Integrado da Criança e do Adolescente, sem êxito. O motivo da recusa de ajuda
que a deixou perplexa: ele não poderia ser atendido por ser menor.
Segundo Antônio César, gerente da
política municipal recifense sobre drogas, existem procedimentos para acolher
menores. Eles não podem ser atendidos em qualquer Caps, a família teria que se
dirigir ao Luiz Cerqueira, em Santo Amaro, onde passaria por avaliação e seria
reencaminhado para outra unidade próxima a sua casa. Ou seja: a burocracia
impera onde a agilidade deveria se fazer presente. Enquanto isso, a situação do
familiar só piora. “Ele está agressivo, magro, não come, não bebe água. Vendeu
todas as coisas dele para comprar a droga”, diz a irmã.
No âmbito municipal, os Caps
realizam o acompanhamento dos dependentes químicos, através de uma equipe
interdisciplinar, composta por assistentes sociais, psicólogos, pedagogos,
entre outros. Porém, de nada adianta cumprir todas as etapas do tratamento se não
será dado ao usuário a garantia da reinserção social. De acordo com a opinião
da psicóloga Conceição Vasconcelos, que atua no Centro Eulâmpio Cordeiro de
Recuperação Humana, uma das unidades do Caps, a situação de vulnerabilidade é o
grande desafio dos profissionais.
“Eles já vêm com os laços familiares
fragilizados ou rompidos. Temos muitos usuários em situação de rua e isso é
muito ruim. A maioria também não possui vínculo empregatício e tem baixa
escolaridade”, afirmou Conceição. A junção dessas particularidades pode ser
responsável pela reincidência de alguns dependentes, como atentou a psicóloga.
“Não são todos os casos, mas às vezes parece um ciclo. A dependência não tem
cura. Ela só é controlada”, disse.
Folha de PE

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