domingo, 22 de setembro de 2013

Folha de São Paulo fez editorial sobre saída de Eduardo Campos do governo Dilma


Para viabilizar candidatura pessoal de Eduardo Campos, PSB sai do governo federal em busca ocasional de temas e propostas para o país


O relógio da Justiça --como visto nesta semana-- não se adianta com facilidade; correm céleres, enquanto isso, os ponteiros que marcam a sucessão presidencial.

Faltando mais de um ano para a eleição, a candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, deu novo passo na quarta-feira. Seu partido, o PSB, entregou amigavelmente os dois ministérios (Portos e Integração Nacional) de que dispunha no governo da presidente Dilma Rousseff (PT).
Tão amigavelmente, aliás, que foi prometido: o PSB continuará votando a favor dos projetos do governo federal, mesmo sem cargos.

Estaria assim comprovado, declarou Campos, que o PSB "nunca se caracterizou pela prática do fisiologismo" e que se pauta pelo "desapego a cargos".
Eram muitos. Além dos dois ministérios, o partido abandona postos no segundo escalão, como Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste) e Sudeco (Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste).
Agora, fica "à vontade para fazer o debate sobre o Brasil", afirmou-se. "Queremos debater o crescimento econômico, a geração de empregos, o estado da saúde e da educação, o pacto federativo."

Sim. Agendas desse tipo deveriam constar da vida normal de qualquer partido que se preze. O curioso é que só agora o PSB se disponha a formular tal discussão.
Estivéssemos num teatro político mais sério, o caminho seria inverso ao apresentado nesse gracioso "bal masqué".

Um partido teria, desde sempre, seus projetos e visões; aceitaria participar de um governo, se alguns pontos de seu programa fossem incorporados à plataforma vencedora. A ruptura posterior se daria diante de divergências em sua execução, ou de mudanças quanto ao rumo a ser seguido.

De modo bem diverso se concebeu o divórcio galante. Tudo nasce de uma aspiração pessoal, a de Eduardo Campos. Vendo espaço para sua evolução presidencial, enquanto Marina Silva marca passo com sua Rede Sustentabilidade e Aécio Neves (PSDB) gira em torno de si mesmo, o governador de Pernambuco sai agora em busca de pautas, bandeiras e debates.

Quais? Ninguém sabe ainda. Exploraria algum flanco à direita do governo, se este fixar a imagem de refratário aos interesses da iniciativa privada. Seria mais desenvolvimentista, se o PIB não acelerar. Não será muita coisa, se a popularidade de Dilma se recuperar.
Partido que mais cresceu nas eleições municipais de 2012, o PSB sofre com o peso exercido pelo PMDB na composição de chapas e ministérios em governos petistas.

A história é antiga. Numa famosa ópera de Puccini, amantes despediam-se cantando um "addio, senza rancor". Faltam ainda um ou dois atos de cantoria.

Folha  de SP

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