Consumidores já fazem os cálculos
dos gastos que terão nas bombas
Caso seja confirmado o aumento de
8% da gasolina nas refinarias, no próximo mês, os pernambucanos terão que se
acostumar com o novo valor do combustível nas bombas. Segundo os cálculos de
donos de postos, o percentual para o consumidor final será de 5%. Na prática,
dos atuais R$ 2,89, o litro da gasolina saltará, em média, para R$ 3 - um
acréscimo de R$ 0,14.
A farmacêutica Camila Souza já
faz as contas de quanto terá que desembolsar a mais, cada vez que completar o
tanque do seu veículo, que tem 42 litros. Ao preço de R$ 2,89, ela gasta R$
121,38 a cada duas semanas. Com o reajuste, passará a pagar R$ 127,26 pelo
mesmo volume. No fim do mês (levando em consideração quatro semanas), o
incremento no orçamento será de R$ 11,76.
A possibilidade de aumento
preocupa o consumidor. “Vai ser uma diferença muito grande no bolso, tendo em
vista que eu rodo uma média de 365 quilômetros por semana e o álcool não rende
muito”, afirmou a biomédica Marcelle Aquino. Mensalmente, ela gasta R$ 404 para
abastecer seu carro com gasolina. Com o aumento, o valor será R$ 424, ou seja
R$ 20 a mais nos custos.
Para o setor, entretanto, não há
mais como segurar os preços. “O cliente reclama achando que a culpa é nossa,
mas, se houver a alta nas distribuidoras, não teremos mais como segurar o preço
atual, tendo em vista que os gastos mensais são altos”, afirmou o gerente do
posto São Salvador, Isaias de Santana, de bandeira BR, em Olinda.
“Por mais que queiramos segurar,
não temos como fazer isso. No primeiro momento assusta, mas depois o consumidor
vai se acostumando”, disse a gerente do Posto Vitória, Ana Luiza Drumond, de
bandeira branca (não tem contrato de exclusividade com nenhuma distribuidora),
também em Olinda.
Uma fonte do setor explicou à
Folha de Pernambuco que, atualmente, o litro da gasolina chega aos postos
custando R$ 2,46 - devido aos impostos, taxação de fretes, tancagem e a margem
das distribuidoras. Em cada litro, os estabelecimentos “ganham” R$ 0,43. Com o
acréscimo nas refinarias, o combustível passará a custar R$ 2,65, reduzindo a
margem dos postos para R$ 0,24. “A única saída para o aumento não ser repassado
ao consumidor é mexer no ICMS, que corresponde a 28% da composição de preços”,
apostou a fonte.
O ICMS seria a principal
alternativa porque, para segurar a inflação, o Governo Federal optou por manter
os preços da gasolina, nos reajustes anteriores, nas refinarias, ao abrir mão
da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), zerada desde 2012.
“Essa questão do ICMS é mais complicada, porque depende de acordos entre os
estados”, avaliou a fonte.
Folha de Pernambuco

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