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sábado, 9 de agosto de 2014

Nagasaki recorda os 69 anos da bomba atômica

Sobreviventes idosos e suas famílias, dirigentes governamentais como o primeiro-ministro e a embaixadora
americana no Japão, Caroline Kennedy, se reuniram em um jardim para as homenagens / Foto: Jiji Press/ AFP
Milhares de pessoas, entre elas vários sobreviventes, se reuniram na manhã deste sábado (9) em Nagasaki para recordar os 70.000 habitantes desta cidade que morreram no lançamento da bomba atômica há 69 anos, três dias depois da de Hiroshima.

Os sinos marcaram o início do minuto de silêncio às 11H02 local (23H02 de Brasília), hora em que a bomba transformou a cidade em uma bola de fogo, em 9 de agosto de 1945.

A cerimônia, realizada apesar dos fortes ventos provocados pela aproximação do tufão Halong, aconteceu perto do lugar em que um avião americano lançou a bomba de plutônio batizada como "Fat Man". Seis dias depois, o Japão capitulou ponde fim assim à Segunda Guerra Mundial.

Primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe,
discursou durante cerimônia
Foto: Jiji Press/ AFP
Sobreviventes idosos e suas famílias, dirigentes governamentais como o primeiro-ministro Shinzo Abe ou a embaixadora americana no Japão, Caroline Kennedy, se reuniram em um jardim, onde o prefeito da cidade pediu ao Executivo que renuncie a seu projeto de abandonar a doutrina pacifista que o país mantém desde o final da guerra.

"O juramento da Constituição através do qual o Japão renuncia à guerra é o princípio fundador do Japão do pós-guerra e de Nagasaki", declarou Tomihisa Taue, para quem o recente debate sobre o direito de autodefesa coletiva "faz temer que este princípio esteja em perigo".

O governo decidiu no mês passado permitir ao exército japonês, que até agora tinha um papel essencialmente defensivo, que combata para defender seus aliados.

Além dos 70.000 mortos em Nagasaki, em Hiroshima foram 140.000 mortos pelas únicas bombas nucleares usadas em tempos de guerra.

Os Estados Unidos jamais pediram desculpas pelo uso dessas bombas e nenhum presidente em exercício do país visitou as duas cidades mártires japonesas.

Telegramas diplomáticos vazados deram a entender que Washington propôs em 2009 que o presidente Barack Obama visitasse Hiroshima, onde apresentaria desculpas oficiais, mas o Japão teria rejeitado esta visita.


Da AFP

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

68 anos da bomba atômica no Japão

As duas maiores atrocidades humanas da história completam 68 anos, no dia 6 em Hiroshima e 9 de agosto em Nagasaki

A primeira explosão de uma bomba atômica na história da humanidade aconteceu no dia 6 de agosto de 1945, uma segunda-feira. 
A bomba foi lançada sobre o centro da cidade de Hiroshima às 8h15 da manhã. Como o horário comercial começava às 8h da manhã, muitas pessoas foram atingidas em fábricas e escritórios. 

A bomba, chamada pelos norte-americanos de Little Boy, continha 50 quilos de urânio 235, com potencial destrutivo equivalente a 15 mil toneladas de TNT. O calor liberado pela bomba
 Hiroshima, atualmente
foi de 100 calorias/cm² no grau zero, 56 calorias/cm² a 500 metros e 23 calorias/cm² a mil metros do centro da explosão.

Nagasaki foi atingida no dia 9 de agosto, às 11h02 da manhã. Inicialmente o plano do exército americano era de jogar a bomba sobre Kokura, Fukuoka. Mas o tempo nublado impediu que o piloto visualizasse a cidade, e decidiu-se pela segunda opção. Nagasaki não era considerado um alvo ideal porque é rodeada por montanhas, o que diminuiria o poder destrutivo. 

A bomba, chamada Fat Boy, era de plutônio 239, com potência equivalente a 22 mil toneladas de TNT, ou seja, 1,5 vez mais potente que a bomba jogada sobre Hiroshima. Como a bomba foi jogada às pressas, sem ter um alvo definido, o centro da explosão ficou a 3 quilômetros do centro da cidade.

O número de pessoas que possuem a carteira de identificação de vítima de bomba atômica atualmente está em 235.569 pessoas, ou seja, 8,1 mil a menos que no ano passado. Mais de cem vítimas das duas bombas moram no Brasil.

Dados complementares

• Em 1945, a população de Hiroshima era de 250 mil habitantes

• Mais de 70 mil pessoas morreram em conseqüência da radiação, principalmente de câncer

• Em 2008, a Corte de Hiroshima ordenou o pagamento de 1,65 milhão de ienes (US$ 15.262) aos familiares de dois sobreviventes japoneses que viviam no Brasil


• Além do Japão, há uma estátua de Sadako Sasaki (que faleceu aos 12 anos com leucemia causada pela bomba atômica nos Estados Unidos

Texto: Redação/NippoBrasil | Fotos: Divulgação

Domo da Bomba Atômica


Inaugurado em 1915 como Palácio das Indústrias de Hiroshima, o domo de Hiroshima faz parte de um prédio em estilo ocidental projetado pelo arquiteto tcheco Jan Letzel. A construção é em estilo neobarroco e indumentária estilo sezession, muito popular na Alemanha e Áustria do final do século 19.

O prédio é uma das poucas construções que permaneceram em pé na região onde foi lançada a bomba atômica. Calcula-se que a parte central do prédio tenha ruido em menos de 1 segundo após a explosão, que ocorreu a 160 metros a leste do palácio, a uma altura de 580 metrosdo solo. A oeste fica a ponte Aioi, em forma de “T”, usado como marca para lançamento da bomba.

O domo permaneceu de pé porque foi atingido quase que verticalmente, evitando que as paredes laterais fossem seriamente danificadas. Como possuía várias janelas, a diferença de pressão do interior e exterior do prédio não foi muito grande – a diferença de pressão forçaria a parede, derrubando-o. O palácio foi atingido 0,2 segundo após a explosão por energia 1000 vezes mais forte que a luz solar, e 0,8 segundos depois ventos de 1.584 Km/h. A pressão atingiu 3,5 milhão hectopascal (35 toneladas por metro quadrado). Todas as pessoas que estavam no prédio morreram na hora.

A energia liberada pela bomba atômica pode ser dividida em 3 partes: 50% vento, 35% calor e 15% radiação, sendo 5% radiação imediata e 10% radiação remanescente.

A população de Hiroshima passou a chamar as ruínas espontaneamente de “Domo da Bomba Atômica”. O Parque Memorial da Paz foi construído em torno do domo em 1955. Na década de 1960, por causa de seu mal estado de conservação, que poderia fazê-lo ruir, cogitou-se a sua derrubada. Mas ele foi salvo pelo líder pacifista Ichiro Kawamoto, que se emocionou ao ler no diário de uma colegial que morreu de leucemia, por causa da bomba atômica, que “aquele triste palácio deve denunciar às gerações futuras os horrores da bomba atômica”. Em 1966 a prefeitura de Hiroshima decidiu pela preservação permanete do prédio. A cada 3 anos passa por vistorias para evitar o demoronamento.

O Domo da Bomba Atômica é considerado patrimônio da humanidade da UNESCO desde 1996. Junto com construções como o Campo de Concentração de Aushwitz, Polônia, e ilha de Robben, África do Sul (onde opositores do apartheid como Nelson Mandela foram presos), é preservado para nos lembrar do lado sombrio da história da humanidade.

Nippo Brasil