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Brasília
- Preocupadas com os alertas sobre o risco de escassez de água própria para o consumo,
duas alunas de ensino médio resolveram unir ecologia e ciência e desenvolveram
um projeto para dessalinizar água do mar por meio de uma bactéria. A intenção
das estudantes é que, sem o sal, a água seja usada para a irrigação, por
exemplo, e, no futuro, também para o consumo humano.
'A
grande importância desse projeto é que o processo é simples e econômico e pode
ser aplicado em vários lugares', explica uma das autoras da pesquisa, Desireé
de Böer Velho, que terminou no ano passado o ensino médio técnico de química na
Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, de Novo Hamburgo
(RS). Aluna da mesma escola, Ágatha Lottermann Selbach é a outra autora da
pesquisa.
Com
o trabalho, as duas chegaram à Feira Internacional de Ciências e Engenharia,
cuja sigla em inglês é Intel ISEF, competiram com estudantes de outros países e
conquistaram o 4º lugar na categoria gestão ambiental. Desireé conta que a
experiência serviu de incentivo para seguir a carreira científica e as
estudantes vão dar continuidade ao estudo para tornar a água dessalinizada
adequada ao consumo humano. A partir daí, elas pretendem buscar apoio para
aplicar o projeto no dia a dia e até em escala empresarial.
A
estudante Desireé de Böer conta que todo o esforço na pesquisa e o
reconhecimento com o prêmio foram experiências que a incentivaram. 'Esse
projeto me incentivou entrar na área científica, foi um grande passo. Viemos de
escola pública onde não tínhamos tanto recurso. Agora entrei na faculdade e
mudou toda minha vida. Olho o mundo de outro jeito, me agregou muito em relação
ao conhecimento, o fato de ter viajado e conhecido novas culturas', disse.
O
projeto das estudantes de Novo Hamburgo foi um dos nove premiados na feira que
teve a participação de mais de 1,5 mil estudantes de 70 países, em maio, nos
Estados Unidos. Os brasileiros ficaram com o 1º lugar entre os países
latino-americanos e com o 3º no geral, atrás apenas dos Estados Unidos e do
Canadá.
A
coordenadora-geral da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace),
organização que selecionou parte dos estudantes para o evento internacional,
Roseli Rodrigues Lopes, ressalta que o sucesso que os brasileiros alcançaram
competindo com estudantes de tantos países mostra que é possível trabalhar o
incentivo para a ciência e a engenharia ainda na educação básica. Ela avalia
que esse trabalho deve ser ampliado. 'Precisamos descobrir quem são os
talentos, às vezes os jovens estão na escola e não têm ideia do que é
engenharia. Ele não recebe o estímulo e às vezes é um grande talento', diz.
Outra
pesquisa premiada é a de Túlio Vinicius Andrade, aluno do 3ª ano do ensino
médio do Grupo Gênese de Ensino, do Recife. Ele ficou com o 3º lugar na
categoria ciências sociais e comportamentais. Por meio da leitura, Túlio
percebeu que as doenças que mais matam no mundo estão ligadas a comportamentos
sedentários. As informações indicavam que esses comportamentos começam ainda na
infância e juventude, por isso, o estudante resolveu investigar a situação das
aulas de educação física em escolas no Recife e descobriu que os professores da
área enfrentavam dificuldades.
'Identifiquei
que há falta de espaço físico, de materiais e de interesse dos alunos. Adaptei
a prática pedagógica do construtivismo e criei soluções com metodologia de ensino
para as principais dificuldades', explica. O estudante fez testes com os alunos
e, comprovada a eficácia do trabalho, Túlio passou a dar palestras para
professores de educação física da rede pública. Após, elaborou um manual que
será distribuído aos professores.
Diante
dos desdobramentos das pesquisas, Roseli Rodrigues Lopes, avalia que a
iniciação científica permite novas perspectivas aos jovens. 'Eles acabam tendo
uma trajetória acadêmica mais rápida que a de outros. Vão para a universidade
sabendo o que querem e chegam com mais maturidade. Terminada graduação, muitos
seguem para o mestrado', diz.

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