Mostrando postagens com marcador História do Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador História do Brasil. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Exposição retrata legado e o impacto do suicídio de Getúlio Vargas

(Tomaz Silva/Agência Brasil)
Palácio do Catete abre exposição sobre os cinqüenta anos da morte de Getúlio Vargas. O local foi sede da Presidência da República até 1960, quando foi transformado em museu 

Exatamente um mês após a data que marcou os 60 anos do suicídio de Getúlio Vargas, o Museu da República, no Rio de Janeiro, inaugurou hoje (24) a exposição Saio da Vida para Entrar na Memória.  Montada com acervo do próprio museu, a mostra reúne imagens, fotos, documentos, reproduções de primeiras páginas dos jornais da época, além de réplicas do pijama que Getúlio vestia na noite do suicídio e do revólver com o qual atirou no próprio peito.

O Palácio do Catete, que abriga o Museu da República desde a transferência da capital para Brasília, foi palco privilegiado da trajetória de Vargas. Durante 19 anos, de lá ele governou o país de diferentes formas. Foi chefe do governo provisório, resultado da Revolução de 1930; presidente eleito de forma indireta em 1934; ditador após a decretação do Estado Novo, de 1937 a 1945; e, finalmente, presidente democraticamente eleito, a partir de 1950.

Com curadoria do museólogo Mario Chagas, a exposição registra o legado do personagem que até hoje desperta paixões e ódios e está presente em monumentos, nomes de logradouros, de escolas e instituições nacionais. O título da mostra foi inspirado na frase com que Getúlio encerrou sua carta-testamento, “Saio da vida para entrar na história”.

Os salões do palácio onde se desenrolou a crise do governo democrático de Vargas, assim como o quarto onde o ex-presidente morreu, permanecem como atração para visitantes do museu. Nos anos 90, marcou época a encenação, nesse circuito expositivo, da peça O Tiro que Mudou a História , de Carlos Eduardo Novaes e Aderbal Freire-Filho.

A exposição Saio da Vida para Entrar na Memória será encerrada em fevereiro de 2015. Com entrada gratuita, ela pode ser visitada de terça-feira a domingo, das 10h às 17h. O Museu da República fica na Rua do Catete, 153, no bairro do Catete, zona sul do Rio.


Agência Brasil 

domingo, 24 de agosto de 2014

Getúlio Vargas cometeu suicídio há exatos 60 anos

   

Getúlio Vargas conversa com seu ministro da Guerra, general Eurico Gaspar Dutra. foto: Arquivo Nacional


 “Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História”. A frase, uma das mais célebres passagens da história política brasileira, encerra a carta-testamento deixada por Getúlio Vargas. Há 60 anos, no dia 24 de agosto de 1954, o então presidente tirou a própria vida em meio à pior crise enfrentada em seus anos de atuação política.

Uma reunião com os ministros no Palácio do Catete varou a madrugada e decidiu que Getúlio se afastaria do governo por três meses para dar lugar ao vice, Café Filho. Após o fim da discussão, já com o dia claro, o político se recolheu ao seu aposento. Por volta das 8h35, o barulho de um tiro ecoou pelo palácio. Seu filho Lutero correu para o quarto, seguido pela esposa de Vargas, Darcy, e a filha Alzira.

"Getúlio estava deitado, com meio corpo para fora da cama. No pijama listrado, em um buraco chamuscado de pólvora um pouco abaixo e à direita do monograma GV, bem à altura do coração, borbulhava uma mancha vermelha de sangue. O revólver Colt calibre 32, com cabo de madrepérola, estava caído próximo à sua mão direita".  É assim que o biógrafo Lira Neto descreve o cenário da morte de Vargas no terceiro volume da série Getúlio.

A carta-testamento de Getúlio Vargas, que seria lida durante aquele dia pelas rádios em todo o território nacional, foi encontrada em um envelope, encostada ao abajur da mesinha da cabeceira da cama do então presidente. Nos apontamentos do biógrafo, o texto, originalmente esboçado por Getúlio, teve sua versão final passada na máquina de escrever pelas mãos de um amigo, José Soares Maciel Filho, já que o ex-presidente não sabia datilografar. O rascunho da carta havia sido encontrado no dia 13 de agosto pelo major-aviador Hernani Fittipaldi, um dos ajudantes de ordem de Getúlio, enquanto arrumava a mesa do presidente.

Assustado com o conteúdo do manuscrito, ele entregou o papel à Alzira, que questionou o pai. “Não é o que estás pensando, minha filha. Não te preocupes, foi um desabafo”, se esquivou Vargas. Essa porém não foi a primeira vez que Getúlio fez menção ao suicídio. Em suas anotações pessoais, ele já havia cogitado tirar a vida em outros momentos de sua jornada política.

A primeira delas foi quando chegou ao poder em 1930. Naquela data, enquanto se encaminhava para a sede do governo, se disse disposto a não retornar com vida ao Rio Grande do Sul caso não obtivesse sucesso na empreitada. Era a primeira anotação pessoal que fazia no diário que carregou para o resto da vida. Lira Neto considera que a diferença em 1954 é que Getúlio se viu encurralado e não conseguiu contornar a crise, como das outras vezes.

Depois de chegar ao poder na liderança do movimento que ficou conhecido como Revolução de 1930, o político gaúcho Getúlio Dornelles Vargas exerceu o governo no país de forma ininterrupta até 1945. De 1930 a 1934 ele foi chefe do governo provisório. Em 1934 foi eleito presidente da República pela Assembleia Nacional Constituinte e exerceu o Governo Constitucional até 1937, quando, por meio de um golpe, instaurou a ditadura do Estado Novo, que durou até 1945. Retirado do comando do país por um golpe militar, se recolheu à cidade natal, São Borja (RS), de onde articulou a volta ao poder pela via democrática nas eleições presidenciais de 1950, cujo mandato não conseguiu completar.


Agência Brasil

quarta-feira, 9 de julho de 2014

O legado da Revolução de 1932

Imagem da Internet
A criação da Universidade de São Paulo (USP), a opção pela industrialização, o aprendizado da mobilização popular e até a emancipação feminina. 

Esses foram os maiores legados indiretos citados por historiadores sobre o movimento constitucionalista de 1932, cujo aniversário do primeiro dos 87 dias de combate celebra-se nesta quarta-feira, feriado de 9 de Julho, mais importante data cívica paulista.

O Estado foi derrotado nas trincheiras - com 634 constitucionalistas mortos, conforme atesta o historiador Marco Antônio Villa, em seu livro 1932: Imagens de uma Revolução -, mas a democracia venceu. “Entrego o governo de São Paulo aos revolucionários de 1932”, anunciou o presidente Getúlio Vargas no dia 16 de agosto, ao nomear interventor o civil e paulista Armando de Salles Oliveira, depois eleito governador pela Assembleia.

Julio de Mesquita

As intervenções na política paulista, aliás, motivaram o conflito. O principal líder civil do movimento foi o jornalista Julio de Mesquita Filho (1892-1969), então diretor do jornal O Estado de S. Paulo e principal articulador da Frente Única Paulista. Essa liderança ficou clara em 25 de janeiro de 1932 - cinco meses antes da eclosão do conflito. Na ocasião, mais de 100 mil pessoas marcharam da Praça da Sé à sede do jornal, então na Rua Boa Vista, para ouvir a saudação de Mesquita Filho, que discursou. “Anulada a autonomia de São Paulo, o Brasil se transformou num vasto deserto de homens e de ideias”, disse, da sacada da redação.

Foi essa pressão paulista que deixou pavimentado o caminho para a Constituição de 1934, como pondera o jornalista e escritor Lira Neto, autor da trilogia Getúlio. Mas os estudiosos vão além disso, ao apontar o legado do movimento. “Não fosse a Revolução, a Universidade de São Paulo (USP) não teria sido criada”, diz o sociólogo e escritor José de Souza Martins. Quando Salles Oliveira assumiu o governo paulista, ele convidou Julio de Mesquita Filho para coordenar a criação da universidade - inaugurada em 1934. “Foi uma reação de São Paulo, derrotado nas armas, investir na educação e na cultura. É a maneira de ‘derrotar o inimigo’ pelo saber.”

Outra consequência foi a opção pela industrialização, começando por São Paulo. “Vargas não venceu sozinho. Na verdade, ele venceu perdendo”, diz Martins. “Na Revolução de 1932, ele derrotou gente como (engenheiro, político e industrial paulista) Roberto Simonsen. Mas, em acordo não escrito com os derrotados, Simonsen se transformou no principal assessor informal do governo federal para a industrialização.”

O escritor Lira Neto acredita que o movimento serviu também para que o povo aprendesse a se unir por uma causa. “Sem entrar no mérito da questão em si, acredito que a mobilização popular foi um grande legado”, comenta. “Pois mesmo o movimento tendo partido da elite, ele se espraiou para o restante da sociedade. Isso contagiou a população como um todo. Todo mundo se uniu em torno da mesma bandeira, a paulista.”

Estudioso do movimento revolucionário de 1932, o empresário Raul Corrêa da Silva concorda. “Como o Brasil não teve uma experiência de guerra em sua história, tivemos proclamações da Independência e da República sem derramamento de sangue, a Revolução de 1932 acabou se tornando um grande marco para mostrar que com o povo não se brinca.”

Mulher

O estudioso lembra a mudança de postura da mulher paulista no período, em que a sociedade não costumava ver com bons olhos quando senhoras deixavam os afazeres domésticos para se embrenhar em algum trabalho. “A mulher foi constitucionalista. Se antes ela só ficava em casa, durante a Revolução foi fazer uniformes, foi para as fábricas, foi produzir material para as batalhas. Houve uma mudança de postura”, defende ele. “Mas o grande legado foi a democracia. E a lição: se for necessário que São Paulo vá às armas de novo, São Paulo irá”, afirma. “Há uma frase da época que diz: ‘São Paulo é a favor do Brasil quando precisa e contra o Brasil se for preciso.’”


Agência Brasil

quarta-feira, 2 de abril de 2014

'Rebuliço', diz Ney Maranhão sobre sessão que derrubou João Goulart

As decisões tomadas na madrugada do dia 2 de abril de 1964, há 50 anos, mudaram o curso da história do Brasil. Marcada pela convocação às pressas, a sessão extra do Congresso Federal que declarou vago o cargo de presidente da República, ocupado por João Goulart, permitiu a instalação do regime militar no Brasil. Único pernambucano presente na sessão que permanece vivo, o ex-deputado federal e ex-senador Ney Maranhão, atualmente com 86 anos, lembra que houve "rebuliço".

 (A renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961, desencadeou uma série de fatos que culminaram em um golpe de estado em 31 de março de 1964. O sucessor, João Goulart, foi deposto pelos militares com apoio de setores da sociedade, que temiam que ele desse um golpe de esquerda, coisa que seus partidários negam até hoje. O ambiente político se radicalizou, porque Jango prometia fazer as chamadas reformas de base na "lei ou na marra", com ajuda de sindicatos e de membros das Forças Armadas. Os militares prometiam entregar logo o poder aos civis, mas o país viveu uma ditadura que durou 21 anos, terminando em 1985)

“No dia, fomos convocados às pressas para uma sessão de madrugada. Eu, particularmente, já sabia o que estava acontecendo, pelo que estava se desenhando politicamente no Brasil. Recebemos a notícia que Jango tinha preferido deixar o governo e houve um ‘rebuliço’ danado, discursos acalorados, mas não era uma ‘cachorrada’, como hoje temos aí”, lembrou.

A reunião dos deputados e senadores teve início por volta das 2h, quando o presidente do Senado, Auro Moura Andrade, declarou que João Goulart tinha deixado cargo – mesmo com uma carta anunciando que ele ainda estava no Brasil, no Rio Grande do Sul, buscando apoios políticos. Amigo íntimo de Jango, Ney Maranhão diz que acompanhou todos os passos que levaram às mudanças políticas drásticas instauradas em 1964.

Declarada a vacância do cargo, Ranieri Mazzili, então presidente da Câmara dos Deputados, assumiu a Presidência. Em 11 de abril, o Congresso ratificou a indicação do chefe do Estado-Maior do Exército, Humberto de Alencar Castelo Branco, como novo presidente do Brasil.

Membro do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Maranhão acredita que, diante da forma como os conflitos vinham tomando forma no Brasil, a ditadura militar acabou se tornando inevitável. “Na época, eu já previa que toda a situação não ia terminar bem. Jango queria soprar, assobiar e chupar cana ao mesmo tempo”, disse, se referindo à falta de conciliação política no governo.

Considerando Castelo Branco uma pessoa “preparada”, Maranhão seguiu a carreira de deputado federal por Pernambuco nos primeiros anos de ditadura como membro da Arena. Entretanto, com o Ato Institucional 5 (AI-5), ele teve seu mandato cassado, mesmo sem ter muitas ideias divergentes dos militares.
A principal razão foi por não concordar com o afastamento do então governador de Goiás, Mauro Borges, do poder. Para fazer isso, os militares precisavam do apoio do Congresso. “Chegaram a pedir meu voto, mas sou fiel ao que acredito. Se naquele momento eu não concordava, não podia votar”, disse.

Em 2012, Ney Maranhão recebeu uma homenagem simbólica no Congresso, com a “devolução” do cargo de deputado. Após ter os direitos políticos reestabelecidos, 20 anos depois da cassação, Maranhão foi eleito senador na república e atuou no período de 1988 a 1995.

Após todos os anos de experiência do regime militar, a posição do ex-parlamentar é que foi uma época “necessária”, mas com muitas injustiças e momentos ruins.  “O que passou, a gente não guarda mágoa. Em coisa ruim, a gente não pensa muito”.

Com dois filhos, três netos e um bisneto, Ney Maranhão se mantém ativo na política brasileira. Ele atua ainda como assessor especial do senador alagoano Fernando Collor (PTB-AL), em Brasília, e também atua nas relações institucionais entre o Brasil e a China. Na época em que foi parlamentar, Ney era famoso por ser o "senador boiadeiro", pois sempre andava com um terno branco, sandália de couro e com um revólver, que mantém na cintura até hoje.


Do G1 

terça-feira, 13 de março de 2012

ANTÔNIO CONSELHEIRO - GUERRA DE CANUDOS

Do basilio.fundaj.gov.br
imagem: blog.clacelestial.com


Antônio Vicente Mendes Maciel, o Antônio Conselheiro, foi um líder do movimento messiânico que reuniu milhares de sertanejos no arraial de Canudos, no Nordeste da Bahia, à margem do rio Vasa- Barris, onde resistiu às tropas do Governo Federal.

Nasceu em 13 de março de 1830, na Vila do Campo Maior de Quixeramobim na então Província do Ceará. Seu pai, Vicente Mendes Maciel era comerciante de secos e molhados e gostava de se aventurar no ramo da construção civil. Sua mãe, Maria Joaquina do Nascimento, morreu quando Antônio tinha seis anos de idade.

Antônio teve uma infância marcada pelos maus-tratos da madrasta, pelos delírios alcoólicos do pai, pelo extermínio de parentes na luta de sua família (Maciel) contra os Araújo e pela influência mística, comum no meio sertanejo.

Sr. Vicente, o pai de Antônio, orgulhava-se do filho que, embora estudando, vinha ajudá-lo no balcão do armazém. Já tendo aprendido a ler e escrever, Antônio entrou para o curso do professor Manuel Antônio Ferreira Nobre, onde aprendeu latim, português e francês.

Gostava de ler o “Lunário Perpétuo”, “Carlos Magno” e outros livros com narrativas místicas que circulavam naquela região. Demonstrava grande entendimento religioso, freqüentava a igreja e era amigo do padre. Tinha especial carinho pelas crianças e idosos, conquistando a admiração do povo de Quixeramobim e arredores.