Morando há mais de 13 anos na residência de número 75 da Travessa da Alegria, dona Francisca, que morou e trabalhou durante muitos anos num engenho de cana, vive uma vida normal com o seu filho José Mariano Ferreira, 75, e a sua nora, Deuza Vicência da Silva, 70. “Embora ela durma pouco, tem uma vida saudável. Acorda umas 7h30 e vai dormir às 22h30. Todo mês vem uma equipe de médicos para avaliar o peso, coração e a pressão dela. Sempre dizem que ela está com boa saúde”, explicou Deuza, que cuida dela há mais de 20 anos.
Apesar da boa saúde, Francisca, que tem aproximadamente dez netos e 50 bisnetos fruto de um único casamento, vive a maior parte do tempo entre a cadeira de rodas e a cama, além de falar muito pouco. Segundo José, em um de seus momentos de lucidez costuma relembrar as canções que marcaram a sua juventude. “Ela, vez ou outra, canta uns sambinhas do seu tempo de juventude”.
Ao longo dos seus mais de 100 anos de idade e prestes a completar mais um aninho, em 11 de abril, Francisca, que já viveu momentos marcantes da história do Brasil, é hoje uma enciclopédia viva para os parentes. “Ela contava que a avó dela era de engenho. Quando eu era pequeno, ela falava muito sobre Lampião e a sua cangaceira Rosa. Ela dizia que Lampião era o policial da região num tempo em que não existia polícia. Ela tinha muito medo dele. Quando diziam que Lampião estava vindo à cidade ela se escondia debaixo da cama”, disse José.
Deuza acrescentou: “uma vez ela recebeu uma rosa de Rosa (cangaceira) e colocou no peito. Quando ela chegou em casa levou uma pisa da madrinha, pois quem estivesse com a rosa representaria a mulher de Lampião”.
A saúde e longevidade mostrada por Francisca, ao longo das décadas, chega a admirar os mais novos que a rodeiam. “Acho que se ela tive nascido hoje ela não teria uma vida tão longa e saudável como tem, pois hoje as comidas já não são tão saudáveis. Enquanto tantos jovens morrem por drogas e alimentação ruim, ela, com essa idade, dá lição de vida”, comentou a ajudante de Deuza, Daniele Nascimento da Silva, 24.
Agora, com tanta história e anos à frente das novas gerações, dona Francisca, que na manhã de ontem não quis falar porque estava chateada por terem dado banho nela, espera ser reconhecida e oficializada como a mulher mais velha do mundo pelo Guiness Book, o livro dos recordes. A marca atual pertence a religiosa francesa, Eugénie Blachard, que faleceu aos 114 anos. Enquanto isso, após cada ano completado, ela comemora com os seus familiares, que frequentemente vão lhe visitar.
Saiba mais
A Lei Áurea, que tinha como finalidade libertar todos os escravos que dependiam dos senhores de engenho e da elite cafeeira, foi sancionada no século XIX, no dia 13 de maio de 1888. O projeto da Lei Áurea foi apresentado pela primeira vez uma semana antes de ser aprovado pelo ministro Rodrigo Augusto da Silva. Passou pela Câmara e foi rapidamente avançado pelo Senado, para sanção da princesa regente. O decreto surgiu para acabar com o sistema de escravidão que permeava no Brasil durante o período colonial. Como regente do Brasil na época, a Princesa Isabel foi a responsável em assinar o documento que libertava os negros dos trabalhos escravos.
Um comentário:
A oafirmar que por a princesa isabel a REGENTE DA ÈPOCA CABERIA A ELA SANCIONAR A lEI àUREA ENCOBRE-SE A HISPORIA DE VERDADE: só houve libertação para os escravos naquele momento por que a mesma decidiu e inclusive dissolveu o conselh de estado que era contra. A Princesa Isabel era uma heroina luou contra tudo para libertar os negros. Busca-se dimimuir o papel da mesma na história. Viva a protetora das liberdades: a Princesa Isabel!
Manoel Carlos
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