Por que a bola é redonda? Aliás,
ela é redonda? Por que a jabulani fazia tantas curvas? Como Didi fazia a bola
cair como uma folha seca? De qual material é feita aquela camisa que não mais
retém o suor do jogador? Por que o gramado é verde? Tem doping no futebol? Como
se detecta? Quem corre mais em campo: a bola, o juiz ou o jogador? Quanta
ciência há nestas perguntas?
Já que o Brasil é campeão mundial
de futebol, por que não podemos também ser campeões de ciência, capazes de
responder a estas e outras questões, não apenas sobre esporte, que diariamente
a sociedade nos coloca? Afinal, jogar futebol não é tão diferente do fazer
ciência. O sucesso no futebol é resultado de um meticuloso trabalho de
observação, análise, investigação, planejamento, experimentação, elaboração de
teorias e táticas.
Ora, esse é basicamente o
procedimento que os cientistas utilizam nas investigações em seus laboratórios:
observação cuidadosa, experimentação, elaboração de teorias e leis para enfim
vencer o adversário: “a ignorância”. Mas por que o Brasil é campeão mundial de
futebol? Porque aqui todo mundo joga futebol, e somos muitos milhões. A criança
quando nasce, logo ganha de presente uma bola. Então, de acordo com a lei da
transformação da quantidade em qualidade, surgem os craques do futebol.
Desta forma, se nossas milhões de
crianças estivessem fazendo ciência na escola, também surgiriam os craques da
ciência. Cientistas perguntam muito, depois experimentam, transpiram, criam
umas explicações e abandonam outras, essencialmente o mesmo que faz uma criança
quando estimulada em busca de entender como funciona seu mundo. Fazer ciência na
escola não é necessariamente descobrir uma nova lei, desenvolver uma nova
teoria, propor um novo modelo ou testar uma nova fórmula.
Antes de tudo, é aproveitar
aquilo que já é natural nos alunos: o desejo de conhecer, de agir, de dialogar,
de interagir, de experimentar, e de teorizar. São os mesmos procedimentos
característicos da ciência, e do futebol. Partindo da curiosidade e do
compartilhamento construtivo de ideias, a aprendizagem se torna prazerosa e
útil, ganha uma dimensão lúdica onde o conhecimento é desejado em vez de
imposto.
O estímulo da Copa do Mundo
proporciona um clima interessante para promover atividades de educação e
divulgação científica. É por isso que o Espaço Ciência
(www.espacociencia.pe.gov.br) abre nesta quarta-feira(11), véspera da abertura
do Mundial, a Exposição “Futebol é Ciência”. Como no futebol, a mostra é
destinada a todos os públicos. Visa servir de inspiração e suporte para
aprendizagens não apenas nas escolas, mas também no ambiente familiar, nas
comunidades e outros espaços educativos.
Cegos poderão jogar futebol, ou
então pessoas de olhos vendados, para que possam experimentar a sensação do
futebol às cegas. Através de painéis e experimentos interativos, os visitantes
terão oportunidade de investigar, construir e aprimorar seus conhecimentos em
ciência e tecnologia. E claro, se divertir fazendo o milésimo gol do Pelé,
tirando sua foto na seleção “Ciência Futebol Clube”, ou marcando gols só com o
pensamento, num experimento inédito de neurociência, que nossos bem vindos visitantes
de todo o mundo só poderão ver por aqui, no Espaço Ciência, em Olinda,
Pernambuco.
Antonio Carlos Pavão
Professor de Química da UFPE e
Diretor do Espaço Ciência

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