quarta-feira, 11 de junho de 2014

Futebol é Ciência

Por que a bola é redonda? Aliás, ela é redonda? Por que a jabulani fazia tantas curvas? Como Didi fazia a bola cair como uma folha seca? De qual material é feita aquela camisa que não mais retém o suor do jogador? Por que o gramado é verde? Tem doping no futebol? Como se detecta? Quem corre mais em campo: a bola, o juiz ou o jogador? Quanta ciência há nestas perguntas?

Já que o Brasil é campeão mundial de futebol, por que não podemos também ser campeões de ciência, capazes de responder a estas e outras questões, não apenas sobre esporte, que diariamente a sociedade nos coloca? Afinal, jogar futebol não é tão diferente do fazer ciência. O sucesso no futebol é resultado de um meticuloso trabalho de observação, análise, investigação, planejamento, experimentação, elaboração de teorias e táticas.

Ora, esse é basicamente o procedimento que os cientistas utilizam nas investigações em seus laboratórios: observação cuidadosa, experimentação, elaboração de teorias e leis para enfim vencer o adversário: “a ignorância”. Mas por que o Brasil é campeão mundial de futebol? Porque aqui todo mundo joga futebol, e somos muitos milhões. A criança quando nasce, logo ganha de presente uma bola. Então, de acordo com a lei da transformação da quantidade em qualidade, surgem os craques do futebol.

Desta forma, se nossas milhões de crianças estivessem fazendo ciência na escola, também surgiriam os craques da ciência. Cientistas perguntam muito, depois experimentam, transpiram, criam umas explicações e abandonam outras, essencialmente o mesmo que faz uma criança quando estimulada em busca de entender como funciona seu mundo. Fazer ciência na escola não é necessariamente descobrir uma nova lei, desenvolver uma nova teoria, propor um novo modelo ou testar uma nova fórmula.

Antes de tudo, é aproveitar aquilo que já é natural nos alunos: o desejo de conhecer, de agir, de dialogar, de interagir, de experimentar, e de teorizar. São os mesmos procedimentos característicos da ciência, e do futebol. Partindo da curiosidade e do compartilhamento construtivo de ideias, a aprendizagem se torna prazerosa e útil, ganha uma dimensão lúdica onde o conhecimento é desejado em vez de imposto.

O estímulo da Copa do Mundo proporciona um clima interessante para promover atividades de educação e divulgação científica. É por isso que o Espaço Ciência (www.espacociencia.pe.gov.br) abre nesta quarta-feira(11), véspera da abertura do Mundial, a Exposição “Futebol é Ciência”. Como no futebol, a mostra é destinada a todos os públicos. Visa servir de inspiração e suporte para aprendizagens não apenas nas escolas, mas também no ambiente familiar, nas comunidades e outros espaços educativos.

Cegos poderão jogar futebol, ou então pessoas de olhos vendados, para que possam experimentar a sensação do futebol às cegas. Através de painéis e experimentos interativos, os visitantes terão oportunidade de investigar, construir e aprimorar seus conhecimentos em ciência e tecnologia. E claro, se divertir fazendo o milésimo gol do Pelé, tirando sua foto na seleção “Ciência Futebol Clube”, ou marcando gols só com o pensamento, num experimento inédito de neurociência, que nossos bem vindos visitantes de todo o mundo só poderão ver por aqui, no Espaço Ciência, em Olinda, Pernambuco.

Antonio Carlos Pavão

Professor de Química da UFPE e Diretor do Espaço Ciência

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