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O ano de 1964, na história da música popular, é
conhecido com o da “British invasion”. Foi quando os Beatles lideraram uma
enxurrada de grupos da Inglaterra que tomaram conta das paradas dos EUA.
Entretanto, no mesmo ano, aconteceu outra invasão: a da bossa nova, que já
vinha desenhando-se desde 1962 e se consolidou finalmente com o álbum
Getz/Gilberto – Stan Getz & João Gilberto featuring Antonio Carlos Jobim.O
disco foi lançado em maio de 1964 e o aniversário de 50 anos é lembrado pela
gravadora Verve, com um relançamento deluxe: o disco original remasterizado, em
estéreo e mono (que aparece em CD pela primeira), mais os singles de Garota de
Ipanema (Tom/Vinicius) e Corcovado (Tom Jobim).
Gravado em março de 1963, produzido por Creed Taylor.
Stan Getz e João Gilberto são acompanhados por Tião Neto (baixo), Milton Banana
(bateria) e Tom Jobim (piano). Seis das canções levam a assinatura de Jobim (só
ou com parceiros), uma é de Dorival Caymmi (Doralice) e outra de Ary Barroso
(Pra machucar meu coração). É um álbum perfeito na sua sofisticada
simplicidade, mas certamente não teria a repercussão extraordinária se o acaso
não tivesse dado sua contribuição, na pessoa de uma baiana (filha de pai
alemão) chamada Astrud Evangelina Weinert, ou Astrud Gilberto, na época casada
com João Gilberto.
Responsável involuntária pelo sucesso de Getz/Gilberto
featuring Antônio Carlos Jobim, Astrud não estava na programação do disco (seu
nome nem aparece na capa). Ela ia ao estúdio A & R Recordings em Manhattan,
Nova Iorque, para acompanhar o marido. Até então, Astrud Gilberto, com 22 anos,
só cantava em reuniões de amigos. No livro de memórias Gravando – Os bastidores
da música (Guarda-Chuva Editora, 2008), de Phil Ramone, produtor e sócio do A
& R Recordings, a cantora conta sobre o dia em que entrou para a história
da MPB e do jazz:
“Vim para os EUA com João, porque ele se comprometeu a
gravar o álbum Getz/Gilberto. Um dia, poucas horas antes de Stan Getz vir ao
nosso hotel para um ensaio que ele e João haviam planejado, ele (João), me
disse, com um ar de mistério: ‘Você vai ter uma surpresa hoje’. Implorei para
que ele me dissesse o que era, mas ele se negou terminantemente”. Mais tarde
quando eles estavam passando a canção Garota de Ipanema, João displicentemente
pediu que eu me juntasse a eles e cantasse um refrão em inglês, depois que ele
acabasse de cantar o primeiro refrão em português. Então, fiz isso. Quando
acabamos de executar a canção, João virou-se para Stan e disse (em inglês
macarrônico): ‘Amanhã Astrud vai cantar no disco – o que acha?’”. Ela revelou
que estava muito tensa, era sua primeira gravação. Foi tranquilizada por Stan
Getz que lhe sussurrou ao ouvido: “Esta canção vai fazer de você uma estrela”.
O produtor Creed Taylor pediu que Phil Ramone cortasse
um disco apenas com a voz de Astrud Gilberto e mandasse para Sarah Vaughan,
como uma demo. A diva do jazz não se interessou pela música. Nunca se soube bem
como,The girl from Ipanema (versão para o inglês de Norman Gimbel) com Astrud
Gilberto entrou no lado B de um compacto de Stan Getz tocando Blowing in the
wind (Bob Dylan). Um DJ (disc-jockey), de Columbia, Ohio, preferiu o lado B. A
música estourou na cidade, no Estado e nos Estados Unidos, levando junto com
ela o álbum Getz/Gilberto, que vendeu 1 milhão de cópias, ganhou o Grammy de
Melhor Álbum do ano e Melhor Gravação do ano para a faixa Garota de Ipanema.
Astrud Gilberto não ganhou o de Revelação do ano, que em 1964 ficou com os
Beatles.
Jornal do Commercio

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