quarta-feira, 24 de agosto de 2011

INSALUBRIDADE NA SAÚDE EM VITÓRIA DE SANTO ANTÃO



INTRODUÇÃO-PARTE 1

A partir dessa semana o BLOG VEN apresenta uma série de reportagens sobre as doenças que mataram vários vitorienses no século XIX. Essa série conta com a parceria de JOHNNY RETAMERO e MARIA PEREIRA(nossa correspondente de CAMPOS SALES-CE).

Salubridade- quando o IMPERADOR DOM PEDRO II visitou a cidade da VITÓRIA, a 18 e 19 de dezembro de 1859, escreveu, no diário de suas impressões sobre PERNAMBUCO; “Há bexiga na povoação, sendo muito doentia, tendo morrido aqui, de CÓLERA, 1.400 e tantas pessoas. A junta de HIGIENE chegou a aconselhar que se abandonasse a cidade e se botassem abaixo as casas”.


Este conceito de cidade doentia e insalubre permaneceu, com justiça, até quase a terceira década do século XX.

O mais corre por conta do pânico, ainda presente quando da visita do Imperador, causado pelo então recente e terrível surto de CÓLERA-MORBO (1856), que ceifaria milhares de vidas no nordeste, e, em PERNAMBUCO, com maior intensidade, no município da VITÓRIA.


A cidade da VITÓRIA, naquela época, em zona pantanosa, entremeada de charcos e pauis formados pelos riachos da ÁGUA BRANCA, DO CAJÁ, DO CARICÉ e do RONCADOR, afluentes do TAPACURÁ, que a circundavam no sentido oeste-sudoeste, e pelas LAGOAS DO BARRO, bem no centro, e dos MAUÉS.

Além desses focos permanentes e naturais de miasmas, havia ainda os barreiros criados por escavações em torno dos riachos, das lagoas e do TAPACURÁ para retirar o barro com que se fabricavam tijolos, telhas e manilhas.

Não havendo esgotos, as águas pluviais e as servidas corriam em valetas, à beira das calçadas, dos pontos altos para os baixos, onde se acumulavam.
Os dejetos humanos eram depositados em pequenos valos abertos no fundo dos quintais, sob quartinhos, que também se jogava o lixo, em torno da cidade, serviam de pasto aos urubus, tão acostumados ao seu bocado certo, que viviam nos telhados mais altos, espreitando oportunidades. A água de que se servia população era de má qualidade.


Não se respeitavam as POSTURAS MUNICIPAIS que proibiam a criação de suínos, eqüinos, bovinos, caprinos e lanígeros dentro da cidade, havendo pocilgas, estábulos e pequenos cercados dentro do perímetro urbano e, sobretudo nos subúrbios, aparecendo, quase sempre, animais soltos no centro da cidade.

Povoação surgida e desenvolvida naturalmente, sem quaisquer preocupações com o bem comum, quando se tornou VILA não se adaptou facilmente aos preceitos e exigências da legislação municipal sobre higiene e asseio, acostumadas que estava a viver à vontade, sem teias nem peias.


Desprovidos, os seus habitantes, de instrução, de educação sanitária, e, na sua maior parte, de recursos para a alimentação e compre de medicamentos; sem meios de assistência e defesa contra os transmissores de moléstias que infestavam a região, era naturalmente elevado o índice de mortalidade, sobretudo infantil.

Fazia a CÂMARA MUNICIPAL o que lhe era possível, não passando suas providências de paliativos, que poderiam atenuar, mas nunca solucionar a situação.

Os livros de Atas de suas Sessões e os Códices da Correspondência da Câmara com o Governo Provincial, que se guardam no Arquivo Público, registram constantes e veementes apelos que, diante do clamor público, lançava a Câmara ao Presidente da Província no sentido de socorrer a população nos transes mais difíceis, mas ficavam, de modo geral, sem pronto e completo atendimento, limitando-se a este a medidas de emergência que, aliviando momentaneamente as agruras do povo, não extinguiam as causas dos seus sofrimentos.

CONTINUA...

FONTE: HISTÓRIA DA VITÓRIA DE SANTO ANTÃO-PE

POSTADO POR JOHNNY RETAMERO E MARIA PEREIRA

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