sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Regionalismo é destaque no Festival de Teatro

Se na semana passada, os olhos do público estavam focados à beleza estética do Grupo Galpão (MG), com Os gigantes da montanha, e à ousadia dramatúrgica da Cia. Armazém, em A marca da água, nestes três últimos dias do 16º Festival Recife do Teatro Nacional, os poucos destaques da programação ficam por conta das abordagens histórico-sociais dos espetáculos que serão apresentados até domingo. Curiosamente, as duas principais montagens deste final de semana são de grupos de fora do Estado.

Fincado no recorte social de Josué de Castro, sobre a cólera da fome que assombrava a sociedade da década de 1960 (época de lançamento do romance homônimo à peça) e continua violenta na realidade contemporânea, Homens e caranguejos é encenado no Teatro Hermilo Borba Filho, pelo Coletivo Cênico Joanas Incendeiam, de São Paulo. A montagem tem direção da pernambucana Luciana Lyra. O trabalho, cujo processo criativo tem base numa pesquisa antropológica da USP, é norteado pela estética performática do teatro moderno.

Por outro lado, o universo folclórico e simbólico da cultura nordestina é suscitado no espetáculo Como nasce um cabra da peste, da Agitada Gang – Trupe de Atores e Palhaços, da Paraíba. No gênero de teatro popular, aos moldes daquele trabalhado pela Movimento Armorial e pelo encenador Hermilo Borba Filho, o grupo resgata estudos de Mário Souto Maior. A peça centrada nos preparativos e procedimentos populares para o nascimento de uma criança no sertão nordestino.

Confira a programação:

COMO NASCE UM CABRA DA PESTE – Agitada Gang – Trupe de Atores e Palhaços (PB). Baseado na obra etnográfica de Mario Souto Maior, faz um apanhado de crendices, superstições, costumes e medicinas mágicas empregado no interior do Brasil rural.

Local: Teatro Luiz Mendonça

Quando: Sexta, às 20h

Ingressos: R$ 10 e R$ 5



CAFURINGA – Grupo Cafuringa. O espetáculo narra a história de um ventríloquo, embolador, vendedor de pomadas e garrafadas: Cafuringa.

Local: Coque/Joana Bezerra

Quando: Sexta, às 16h

Acesso gratuito

UMA HISTÓRIA OFICIAL – Cortejo Cia de Teatro (MG). Motivado pelas reflexões sobre os autoritarismos espalhados pelo mundo, inspirados pela prosa de Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa, e pelas premissas de Eduardo Galeano sobre a América Latina.

Local: Teatro Luiz Mendonça

Quando: Sábado e domingo, às 20h

Ingressos: R$ 10 e R$ 5

COISAS DO MAR – Grupo Teatral Ariano Suassuna. Baseado em histórias da cultura popular oral, a partir de adaptações para a linguagem infanto juvenil de textos recolhidos por Câmara Cascudo. No enredo, o Capitão navega com sua tripulação em alto mar para procurar um tesouro perdido, porém a busca é interrompida por uma situação inesperada.

Local: Teatro Apolo

Quando: Sábado e domingo, às 16h

Ingressos: R$ 10 e R$ 5

HOMENS E CARANGUEJOS – Coletivo Cênico Joanas Incendeiam (SP). A trama gira em torno de um Menino, que chegou à cidade e aos mangues do Recife com seu Pai, fugindo da seca, depois da morte do irmão mais velho. .

Local: Teatro Hermilo Borba Filho

Quando: Sábado e domingo, às 21h

Ingressos: R$ 10 e R$ 5

AS CONFRARIAS – Companhia Teatro de Seraphins. O enredo aborda um tema recorrente da dramaturgia de Jorge Andrade: a morte sem sepultura. Primeira vez que o texto foi montado. Uma mãe implorar às confrarias um lugar para enterrar seu filho.

Local: Teatro Barreto Junior

Quando Sábado e: domingo, às 20h


JC Online

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