A organização não
governamental (ONG) Rio de Paz fez neste sábado (21) um protesto na Praia de
Copacabana em que deu "cartões vermelhos" para a Fifa, cobrando maior
contrapartida social na Copa do Mundo. A ONG critica isenções de impostos dadas
à entidade que representa o futebol internacional e afirma que o valor desses
impostos não pagos chega a R$ 1 bilhão.
"Queremos que ela
pegue o dinheiro que pagaria de impostos e invista em quadras esportivas em
escolas públicas, por exemplo, ou nas favelas brasileiras. Seria uma forma de
dar um retorno 'padrão Fifa'. A Fifa está manchando sua imagem perante o mundo
inteiro", disse o fundador da ONG, Antônio Carlos Costa.
Doze cartões vermelhos com
2 metros de altura foram posicionados na areia da praia, em frente ao Hotel
Copacabana Palace, e cerca de 30 pessoas mostravam cartões menores no ato, que,
segundo Costa, não é contra a Copa, mas contra o modo como ela foi realizada,
com muitos gastos públicos. No protesto, cartazes comparavam os custos dos
estádios e das estruturas com hospitais, escolas e o combate à miséria.
"Quem não está
lucrando é a democracia brasileira. Na cabeça de milhões de pessoas, a
democracia não está mais associada à justiça social e à distribuição de renda,
mas associada à proteção dos poderosos. Quando o pobre olha isso, ele diz: 'a
democracia não serve mais para nós'. Isso é péssimo porque ela deveria ser um
valor inegociável em toda a sociedade", criticou.
O Departamento de Imprensa
da Fifa respondeu que a entidade depende da renda de uma Copa do Mundo para
manter seus projetos de desenvolvimento do futebol ao longo dos quatro anos
entre uma Copa e outra e que muitas federações nacionais não conseguiriam se
manter sem ajuda financeira. A Fifa também afirma que criou um fundo para o
desenvolvimento do futebol no Brasil que terá o valor divulgado depois da Copa
do Mundo, mas que, inicialmente, tem a aprovação de 20 milhões de dólares. Entre
os 108 programas de desenvolvimento do futebol que apoia em todo o mundo, a
Fifa informa que há 26 entidades brasileiras.
Sobre a isenção de
impostos, a federação informa que "diz respeito primordialmente à
importação de bens (isto é, uniformes para voluntários, frotas de automóveis e
ônibus)" e afirma que paga impostos sobre a venda de ingressos e que tem
suas subsidiárias tributadas. A federação também paga impostos à Suíça, onde
fica sua sede.
Fonte: Agência Brasil/Ne10
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