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| Imagem: Diario de Pernambuco |
Logo nas primeiras sessões, recebeu a instrução de comer de três em três horas, pois, assim, aceleraria o metabolismo e queimaria gordura mais rapidamente. Desde então, antes de sair de casa para o trabalho, criou o hábito de preparar seis refeições para se alimentar ao longo do dia.
Nesses 13 anos, entretanto, em alguns momentos, saiu do ritmo da dieta, voltou a comer de maneira desordenada e engordou um pouco. Mas, quando quer diminuir o peso na balança novamente, volta à velha técnica de comer em intervalos curtos. “Sempre me adaptei bem a esse método e sei que, de fato, funciona comigo”, avalia.
Quem já se sentou em um consultório de um nutricionista, assim como
Rodrigo, à procura de uma dieta para queimar calorias, certamente escutou essa
orientação. Os estudos que deram força à recomendação são antigos e amplamente
divulgados. Mas, recentemente, a chef e nutricionista Bela Gil, adepta da
medicina ayurvédica, tem discutido em seu programa de tevê no canal GNT uma
nova forma de encarar os hábitos de alimentação: comer apenas quando se tem
fome.
“Devemos nos conectar mais profundamente com nossos sensores
fisiológicos e respeitá-los. Mais importante do que a frequência com que
ingerimos os alimentos é a qualidade deles”, explica Bela em seu blog. Em
entrevistas e textos publicados na internet, ela defende que o fígado precisa
de tempo para passar pelo autodetox e, quando se come em intervalos tão curtos,
esse processo é interrompido. “Um dos motivos pelo qual a mulher vive mais do
que o homem é por causa do metabolismo mais lento. Então, por que fazer uma
pessoa comer mais frequentemente? Para acelerar a máquina e ela pifar mais
rapidamente?”, disse em artigo.
A nutrição tradicional também está repensando a alimentação
fracionada ao longo do dia. “Há estudos mais recentes questionando esse tipo de
estratégia de emagrecimento, pois não conseguiram comprovar o benefício.
Teoricamente, dependendo do que se ingere, essa dieta pode favorecer o aumento
de gordura abdominal”, explica Aldemir Mangabeira, membro do Conselho Regional
de Nutricionistas.
Dividir a alimentação em seis refeições ao dia pode ser
perigoso, pois é comum, entre os adeptos, ingerir mais calorias do que
permitido e necessário. O especialista, entretanto, acredita que esse método
ainda é eficaz, principalmente para aquelas pessoas que passam muito tempo sem
se alimentar, ficam com muita fome e, sobretudo à noite, comem tudo o que
aparece pela frente. “Nesse caso, comer de três em três horas pode ser muito
útil para quem não quer colocar em risco o controle alimentar”, pondera.
A questão comportamental, acreditam os nutricionistas, costuma
ser mais determinante que a metabólica. “O resultado da dieta está ligado à
qualidade do sono, à ingestão de água e à qualidade de vida. Por isso, ela deve
ser adaptada à rotina e aos hábitos alimentares de cada pessoa”, explica Elisa
Amaral, nutricionista da academia Bodytech. Quem se propõe a se alimentar com
pequenas porções de comida pingadas ao longo do dia tem obrigação de cortar
álcool, açúcar e outros alimentos calóricos para ter resultado. Além disso, é
preciso uma rotina de exercícios diários. “Se a estratégia é ficar em jejum ou comer em
intervalos curtos, o importante é ter disciplina”, conclui.
OLÍVIA MEIRELES

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