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Manifestante pró-maconha na Flórida |
Num país em que o voto é
facultativo, as eleições legislativas dos EUA nem sempre empolgam os eleitores,
já que não está em jogo a Presidência.
Em vários Estados, porém, a
expectativa é de grande comparecimento às urnas no próximo dia 4 de novembro,
não tanto pela oportunidade de escolher governadores, senadores, deputados e
prefeitos, mas pelas questões locais que também serão decididas no pleito.
Entre as votações observadas com
maior atenção estão as de Oregon, Alasca e da capital, Washington, que irão
decidir se seguem os passos do Colorado e do Estado de Washington e legalizam a
maconha para fins recreativos.
Na Flórida, os eleitores decidem
sobre a permissão do uso da droga para fins medicinais.
Caso a medida seja aprovada, a
Flórida será o 24º Estado americano a legalizar a maconha medicinal.
Pesquisas
Ao todo, porém, são 158
referendos em 42 Estados neste ano, abordando temas tão variados como aborto,
porte de armas ou presença de transgênicos em alimentos.
O número representa uma queda em
relação aos 188 referendos das eleições anteriores, em 2012.
Defensores e opositores da
legalização da maconha já gastaram milhões de dólares em anúncios contra e a
favor.
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Biscoito de maconha |
Opositores da liberação da maconha
temem que a droga chegue até crianças sob a forma de alimentos, como biscoitos
Em geral, setores favoráveis à
legalização citam os resultados nos Estados que já legalizaram a maconha como
exemplos de sucesso.
Dizem ainda que a proibição
apenas alimenta a ação do tráfico e não impede o uso da droga.
Outro argumento pró-legalização é
que o controle da produção e venda, bem como o recolhimento de impostos,
regularia o mercado, além de permitir que polícia se concentrasse em crimes
graves, como assassinatos e sequestros.
Opositores, porém, afirmam que
ainda é cedo para medir os efeitos da legalização no Colorado e no Estado de
Washington. Os ativistas contrários à legalização da maconha temem ainda que a
medida possa aumentar o uso da droga, inclusive entre crianças, por meio de
produtos comestíveis à base da erva.
Apoio variável
A inclinação dos eleitores varia
conforme o Estado. No Alasca, pesquisas de intenção de voto divulgadas neste
mês mostram um eleitorado dividido. Em levantamento da empresa Dittman
Research, 53% dos entrevistados disseram que votariam “não” à legalização, e
43% optariam pelo “sim”. Outra pesquisa, conduzida pela empresa de Ivan Moore,
mostra 57% de apoio ao “sim” e 39% ao “não”.
No Oregon, pesquisa da SurveyUSA
aponta 48% de votos para o “sim” para a legalização e 37% para o “não”.
Os responsáveis pela pesquisa,
porém, alertam que “qualquer resultado é possível”. “O apoio a esta medida vem dos
jovens, e a oposição vem dos mais velhos. E em eleições legislativas, eleitores
mais velhos são mais confiáveis que os mais jovens”, diz o texto de
apresentação do levantamento.
O comparecimento de jovens
costuma ser baixo em eleições legislativas.
Na capital, Washington, há uma
tendência mais clara, com pesquisas indicando cerca de 60% de apoio à
legalização e 30% de oposição.
No caso da Flórida, onde o que
está em votação é o uso medicinal da droga, há também outro componente político
em jogo.
Segundo analistas, o ex-governador
democrata Charlie Crist, que busca voltar ao cargo, espera que o comparecimento
às urnas de eleitores motivados pelo referendo sobre a maconha aumente suas
chances de vitória, já que defensores da legalização da droga costumam se
identificar como liberais e votar no Partido Democrata.
Calcula-se que os partidários do
democrata já tenham investido mais de US$ 4 milhões na campanha pela
legalização.
Do lado opositor, comandado pelo
governador republicano Rick Scott, candidato à reeleição, já foram gastos mais
de US$ 3 milhões em propaganda contra a medida.
Outras medidas
Outras questões polêmicas também
serão decididas em referendos nesta eleição e, assim como no caso da maconha,
democratas e republicanos esperam que o interesse despertado nos eleitores por
esses temas se traduza em maior comparecimento e, assim, mais votos para seus
candidatos.
O comparecimento de eleitores
mais jovens é considerado importante pelos partidários da liberação da droga
nos três estados que votarão no dia 4
Tennessee, Colorado e Dakota do
Norte vão votar sobre restrições ao aborto.
Nos dois últimos Estados, os
eleitores deverão decidir sobre medidas relativas ao que é chamado de
“personhood”, que estabelecem o momento da concepção como o início da vida. Alasca, Arkansas, Nebraska e
Dakota do Sul votam propostas de aumento do salário mínimo.
No Oregon e no Colorado, empresas
do setor alimentício e ambientalistas medem forças num referendo sobre a
obrigatoriedade de rótulos identificando alimentos que contenham ingredientes
geneticamente modificados.
Um dos pontos mais controversos é
em relação ao porte de armas no Estado de Washington, onde estão em votação
duas medidas opostas. Enquanto uma exige mais rigor na checagem de antecedentes
para compradores de todos os tipos de armas, a outra proíbe controles mais
rígidos.
BBC Brasil