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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Vacinação contra pólio e sarampo começa no dia 8 de novembro

A campanha de vacinação contra a poliomielite e o sarampo começa no próximo dia 8 e segue até 28 de novembro. Os sábados 8 e 22 serão os dias de mobilização nacional, quando postos de todo país ficam abertos para intensificar a campanha.

No caso da poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, a população-alvo inclui crianças a partir de 6 meses até 5 anos incompletos. A expectativa do governo é vacinar mais de 12,7 milhões de crianças em todo o país. Serão distribuídas 17,8 milhões de doses orais (vacina em gotas). O ministério, no entanto, recomenda a vacina injetável para as crianças acima de 6 meses que estão com o esquema de vacinação atrasado.

Já na imunização contra o sarampo, a faixa etária do público-alvo é a partir de 1 ano até 5 anos incompletos. A estimativa é vacinar 10,9 milhões de crianças. Serão distribuídas 12,5 milhões de doses da vacina tríplice viral, que protege também contra a caxumba e a rubéola. A campanha, considerada de seguimento, é realizada a cada cinco anos e foi antecipada este ano no Ceará em razão de casos identificados no estado em 2013 e 2014.

O secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, destacou que as vacinas são seguras e recomendadas pela Organização Mundial da Saúde. No caso da vacina oral e da vacina injetável contra o sarampo, as reações são consideradas raras e, no caso da dose contra a pólio, as reações incluem febre ou dor no local da aplicação.

"Não podemos ter nenhuma dúvida sobre a necessidade de se manter a população protegida", disse Jarbas. Mais de 100 mil postos de saúde, 350 mil profissionais e 42 mil veículos (terrestres, marítimos e fluviais) devem integrar a campanha este ano.

O Brasil é considerado livre da poliomielite desde 1990. Em 1994, recebeu da Organização Pan-americana de Saúde a certificação de área livre de circulação do vírus.

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, lembrou que a continuidade das campanhas é fundamental para evitar a reintrodução da doença no país. Entre 2013 e 2014, dez países registraram casos de sarampo, sendo que três deles são considerados endêmicos (Paquistão, Nigéria e Afeganistão).

"O Brasil recebe uma quantidade grande de turistas e nós também saímos muito do país. É preciso que essa arma de prevenção, que é a vacina, seja utilizada", destacou.

A poliomielite, segundo a pasta, é um doença infectocontagiosa grave. Na maioria dos casos, a criança, quando infectada, não morre, mas adquire sérias lesões que afetam o sistema nervoso e provocam paralisia irreversível, principalmente nos membros inferiores.

Já o sarampo é uma doença viral aguda grave e altamente contagiosa. Os sintomas mais comuns incluem febre alta, tosse, manchas vermelhas, coriza e conjuntivite. A transmissão acontece de pessoa para pessoa por meio de secreções expelidas ao tossir, falar ou respirar. A única forma de prevenção da doença é a vacinação.

Da Agência Brasil

sábado, 14 de abril de 2012

COM A BOCA, ELA ESCREVEU UMA VIDA – CAPÍTULO 2

Da Revista Época

Para quem não leu o Capítulo 1 (postado em 10/04), farei uma breve esplanada sobre a história de Eliana Zagui. Sua vida é marcada por muitas provações, força, coragem, perseverança, fé e determinação em viver. Eliana Zagui é uma mulher forte e de muita personalidade. Deitada numa cama, sem movimentos do pescoço para baixo, vive quase de forma vegetativa, respirando com a ajuda de equipamentos, com o orifício aberto no pescoço e a cânula da traqueostomia, há mais de 36 anos na UTI do Hospital das Clínicas de São Paulo. Formada em História da Arte, tornou-se pintora, fala inglês e italiano e na última terça, dia 10 de abril, lançou o livro: “Pulmão de Aço – uma vida no maior hospital do Brasil”. Uma história real que me emocionou e me fez repensar algumas prioridades em minha vida. Espero que vocês gostem, reflitam e se emocionem, assim como eu. Um abraço! Walkíria Araújo.

imagem: revistaepoca.globo.com
Trechos de “Pulmão de aço – uma vida no maior hospital do Brasil”, de ELIANA ZAGUI:
O abraço
Adalberto foi protagonista de uma das minhas histórias mais marcantes. Eu tinha apenas oito anos e chorava desesperadamente. Ele entrou no quarto e perguntou o que estava acontecendo. Eu não sabia explicar. Solidão, tristeza, falta de carinho, dor. Tudo junto. Tentou me consolar, mas eu chorava cada vez mais. Adalberto então enfiou um dos braços por trás das minhas costas, me ergueu um pouquinho e me enlaçou com força. Foi uma sensação maravilhosa. Jamais havia ganhado um abraço. Até hoje, nem mesmo meus pais jamais me abraçaram.
O dia em que o palhaço chorou
Dr. Giovani fazia o possível para diminuir em nós a sensação de isolamento. Sempre com autorização da direção do HC, levou-nos a alguns passeios inesquecíveis. Providenciava tudo: ambulância, cilindros de oxigênio, respirador portátil. Com ele, os meninos foram a parques e ao zoológico de São Paulo. Mas nada pode ser comparado a nossa ida ao circo. Conhecer o circo era um sonho. Dr. Giovani arrumou tudo, preparou a infraestrutura e nos levou — eu, Paulo, Tânia e Pedro — em duas ambulâncias. Mas naquela tarde caiu um temporal, faltou público e o espetáculo foi cancelado. Vendo nossa imensa frustração, o médico procurou o dono do circo, explicou a situação e o levou até nós, nas ambulâncias. A reação foi imediata. A trupe nos maquiou como se fizéssemos parte do espetáculo e resolveu nos presentear com uma miniapresentação exclusiva. O encontro emocionou os artistas. A choradeira foi geral. Os palhaços conduziram o show, sob lágrimas.

O mundo, pela primeira vez
Depois de minha ida ao circo, com pouco mais de dois anos, fiquei 12 anos sem sair daqui. Assim, nada mais compreensível que o ataque de ansiedade que tive diante da primeira oportunidade de dar uma voltinha. Estava com 15 anos. Graças à terapia, já conseguia ficar de duas a três horas sem o respirador artificial. Também estava com a saúde razoavelmente em dia. O convite para um breve passeio partiu de Eleni. Ela me chamou para conhecer sua casa. Disse que faria tudo para obter a autorização do hospital e se responsabilizaria formalmente por mim. No dia do passeio estava tão tensa que fiquei com medo de passar mal e abortarem a saída. Fiz de tudo para disfarçar. Lembro-me da emoção que senti quando me colocaram na maca e a desceram ao pátio rumo à ambulância. Foi a primeira vez na vida em que pude ver as árvores em toda a sua grandeza. Da sacada, só conseguia ver as copas e parte do tronco. Vi também o céu, maior e mais bonito do que na TV. E me espantei com o movimento intenso de carros, ônibus e pessoas pela cidade.  A chegada à casa foi outra emoção arrebatadora. Era assim que era uma casa?
Perspectiva horizontal
Quem vive numa cama não tem a mesma perspectiva das outras pessoas. Depois de tanto tempo deitados, não conseguimos mais ver o mundo na vertical. No meu caso, principalmente, a perspectiva é toda horizontal. Há anos, por problemas respiratórios, não posso mais usar nem travesseiro. Vejo o mundo de baixo para cima ou de lado. Não sei o que é olhar para baixo. Paulo, quando criança, conseguia sentar-se um pouco. Em raras oportunidades foi colocado no chão. Por volta dos sete anos, ele cismou de jogar no chão o que estivesse por perto: cobertas, copos, talheres. As tias, intrigadas, perguntaram por quê. “Quero ver se o chão é duro”. A experiência não aplacou sua curiosidade, e ele resolveu torná-la mais concreta: atirou-se no chão. Descobriu da maneira mais difícil que o chão era mesmo duro: duas pernas fraturadas e meses de imobilização.

terça-feira, 10 de abril de 2012

COM A BOCA, ELA ESCREVEU UMA VIDA – CAPÍTULO 1

Oi gente, tudo bem com vocês? Além de pesquisar informações para nos mantermos atualizados, sempre procuro mensagens reflexivas ou histórias que nos façam fugir um pouco da nossa vida atribulada, das desonestidades e da violência que, infelizmente, insiste em ser uma realidade cada vez mais próxima de todos nós. Pois bem, me deparei com esta história linda, de muitas provações, força, coragem, perseverança, fé e determinação. Esta é a história de Eliana Zagui, uma mulher forte e de muita personalidade. Irei apresentá-la em dois capítulos: no primeiro, sua vida e no segundo, trechos de seu livro. Uma história real que muito me emocionou e me fez repensar algumas prioridades em minha vida. Espero que vocês gostem, reflitam e se emocionem, assim como eu. Um abraço! Walkíria Araújo.
 
Da Revista Época – por Eliane Brum
imagem: revistaepoca.globo.com
Aos 38 anos, Eliana Zagui, vítima de paralisia infantil, lança um livro contando como foi crescer e tornar-se mulher na UTI do maior hospital do Brasil. Eliana Zagui tinha 1 ano e 9 meses quando entrou no Hospital das Clínicas de São Paulo. Vinha no colo dos pais, quase morta, vítima do último grande surto de poliomielite que o Brasil enfrentou nos anos 70. Era 10 de janeiro de 1976. Eliana viveu. Mas nunca mais deixou o hospital. Em 23 de março, ela completou 38 anos – mais de 36 deles passados entre as paredes de uma UTI do Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT) do HC.

Deitada numa cama, sem movimentos do pescoço para baixo, mas com todas as sensações, Eliana reconheceu-se ali, viu o melhor e o pior do ser humano ali. Respirando com a ajuda de equipamentos, com o orifício aberto no pescoço e a cânula da traqueostomia, Eliana formou-se no ensino médio, aprendeu inglês e também italiano, fez curso de História da Arte e tornou-se pintora. Em seu mundo horizontal, conheceu o amor e também o desespero, tentou o suicídio e testemunhou a morte daqueles que amava. É essa vida que Eliana nos conta no livro que será lançado nesta terça-feira, 10 de abril, pela Belaletra Editora: “Pulmão de Aço – uma vida no maior hospital do Brasil”. Eliana escreveu a maior parte do livro com a boca, agarrando com os dentes uma espátula de garganta na qual é amarrada uma caneta. “Fiz do meu caderno algo como um saco de soco de lutadores de boxe. Escrever no papel é algo muito íntimo. Pude chorar, gritar, berrar, xingar, rir e gargalhar das coisas ridículas e saudosas.”

O desejo de agarrar suas memórias a alcançou na forma de uma voz do passado. A voz da enfermeira Fininha. Josefina Aparecida Saccani já tinha encerrado seu turno naquela tarde do verão de 1976. Mesmo assim, continuava no corredor do hospital de Jaboticabal, cidade próxima a Guariba, de onde o casal tinha vindo em busca de socorro para a filha. Inconformada, Fininha tentava encontrar uma carona para a menina que morreria naquela noite se não conseguisse chegar ao Hospital das Clínicas, na capital. A enfermeira esbarrou com seu vizinho Tercílio, que havia levado um funcionário ao hospital para suturar a mão. Implorou por uma carona. Em setembro de 2002, quase três décadas depois, Eliana atendeu ao telefone e escutou a voz de Fininha. A enfermeira nunca soube o nome da menina cuja vida salvou. Mas jamais foi capaz de esquecer a garotinha loira de olhos tristes. A voz de Fininha devolveu o passado à mulher que Eliana havia se tornado.

Assim começou o livro: “Pulmão de Aço”. Pulmão de Aço é uma máquina grande, parecida com um forno, onde pessoas com insuficiência respiratória eram colocadas, ficando só com a cabeça de fora. Eliana teve de fazer a traqueostomia e ligar-se para sempre a um respirador artificial. “Minha capacidade de sobrevivência fora do aparelho de respiração é bem limitada. No máximo três ou quatro horas. Aprendi já crescida a respirar com o que me resta dos pulmões – e isso exigiu grande esforço”, conta no livro. Devagar, porém, foi descobrindo que em seu corpo frágil e insuficiente morava mesmo um pulmão – e uma vontade – de aço. O pulmão resistia aos pedaços – à vontade, por inteiro.
 

terça-feira, 13 de março de 2012

O PERIGO DE NÃO VACINAR AS CRIANÇAS

Da Revista Veja
imagem: bebe.abril.com.br
Antes de ser erradicada com o uso maciço de vacinas, no final dos anos 1970, a varíola matou 300 milhões de pessoas, contando apenas o século XX. O sarampo, uma doença altamente contagiosa, foi responsável por cerca de 2,6 milhões de mortes por ano, antes de 1980, época em que começaram as intensas campanhas de vacinação. Já os casos de poliomielite, doença que pode causar paralisia infantil, apresentaram uma queda de 99% desde 1988, quando, mais uma vez, a prevenção com vacina teve início.

Criadas em 1796, pelo médico britânico Edward Jenner, as vacinas deram início a uma revolução na medicina preventiva – tornando possível evitar a ocorrência de doenças letais e contagiosas. Há quem, no entanto, na contramão de todas as evidências científicas, opte por não vacinar seus filhos. A lamentável ideia encontrou abrigo entre um grupo de pais, grande parte da classe média alta, que vem optando por não imunizar os filhos para doenças que deixaram de ser comuns, como o sarampo e a difteria.

Alguns por acreditarem em teorias exóticas e fraudulentas, outros por medo de que a vacina prejudique a saúde da criança e outros ainda, por questões ideológicas, pensam resistir ao que seria uma imposição criada pela indústria farmacêutica. Por um motivo ou outro, a irresponsabilidade pode colocar em risco não só a saúde da criança, mas de todos à sua volta, alertam especialistas.