No colo de Câmara
O
governador Paulo Câmara (PSB) tem que mostrar capacidade de diálogo, negociação
e jogo de cintura para evitar o pior cenário nesta crise na segurança pública
mais adiante: a greve da Polícia Militar.
Reunidos,
ontem, os principais segmentos da corporação deram um prazo até 10 de fevereiro
para o Governo se posicionar sobre seus pleitos.
São
reivindicações antigas, que provocaram a greve de maio de 2014, na qual o
ex-governador João Lyra, atordoado com arrastões na Região Metropolitana por
falta de policiamento, teve que recorrer às tropas federais, sendo atendido de
imediato pela presidente Dilma.
Naquela
ocasião, para pôr fim ao movimento, que apavorou a população, devido aos saques
em supermercados e no comércio em geral, Lyra acatou uma proposta que acabou
sobrando para o seu sucessor. Os policiais militares querem um aumento entre
30% a 50%, dependendo da patente.
Exigem,
ainda, reestruturação da Hospital da PM, no Derby, e a implantação de um
programa de gratificação por risco de vida no salário base da categoria,
proposta que tramita na Assembleia Legislativa. O documento, enfim, avalizado
por Lyra envolve nada mais nada menos do que 18 itens.
Isso
sem falar num fato novo eclodido na crise do sistema penitenciário, com três
dias de rebeliões: a proteção dos presídios por parte de agentes penitenciários
e não policiais militares, que se recusam a acumular a função. Difícil para o
Governo?
Pelo
menos no plano salarial, impossível. Não há precedente no Estado para aumentos
salariais em patamares exigidos pelos militares, não só porque os índices estão
muito acima da inflação oficial como, acatados, o Governo estaria provocando
uma reação em cadeia por parte de outras categorias, a começar pela Polícia
Civil.
Sendo
assim, o governador tem pela frente um grande desafio. Se motim em presídios já
deixa o Estado refém da agenda negativa, imagine uma greve da Polícia Militar
em pleno Carnaval!
SEM CARNAVAL– Sem dinheiro sequer para pagar em
dia os servidores e manter os serviços essenciais, prefeitos começam a cancelar
o Carnaval. O primeiro a tomar decisão corajosa foi Luciano Duque (PT), de
Serra Talhada. Ontem, o prefeito de Limoeiro, Thiago Cavalcanti (PROS), também
se dobrou à dura realidade e, em nota, informou que o município fica sem os
festejos momescos.
Risco de degola– A versão vem dos próprios
petistas: o ex-prefeito João Paulo teria sido rifado da lista de Dilma para a
Codevasf por causa da rejeição das suas contas de prefeito do Recife referentes
ao exercício de 2008. Há, também, indícios que o petista também perderá a
guerra contra outros processos cabeludos que correm na instância federal.
Piada de salão– A candidatura de Edilson Silva
(PSOL) à Presidência da Assembleia Legislativa caiu na galhofa. Corre o risco
de ter apenas o voto dele, porque a oposição não morre de amores pelo seu
estilo, preferindo, se for o caso, a reeleição de Guilherme Uchoa. Silva quer,
na verdade, espaço na mídia e está conseguindo.
Tropa conselheira– Secretários mais próximos a Paulo
Câmara foram convocados, ontem, para uma reunião de emergência no Palácio ao
meio dia. Em pauta, a crise no sistema penitenciário, que tem tirado o sono do
governador. As decisões sobre o assunto, portanto, estão sendo tomadas em
conjunto e não de forma isolada pelo chefe.
O porta-voz – Responsável pela assembleia dos
militares, ontem, no Centro de Convenções, que culminou na primeira proposta
levada ao Governo para evitar a greve da PM, o deputado Joel da Harpa (PROS)
também conduziu, em seguida, a manifestação da tropa pelas ruas da cidade em
protesto contra a morte do sargento Carlos Silveira, na primeira rebelião no Aníbal
Bruno, segunda-feira passada.
CURTAS
CALOTE– Não é só o prefeito de Águas Belas
que não paga o salário dos servidores em dia. Em Custódia, Luiz Carlos (PT)
está sem honrar a folha há dois meses, gerando um clima de insatisfação e
revolta na categoria, que já fala em promover manifestações.
ASFALTO– Carlos Alberto, dono da
empreiteira responsável pelas obras de restauração da PE-292, ligando
Albuquerquené a Afogados da Ingazeira, garantiu ao Governo que, a partir de
hoje, operários começam a chegar ao canteiro de obras para instalação da usina
de asfalto.
Perguntar não ofende: Qual a saída que o Governo dará
para o elefante branco do presídio de Itaquitinga?
'Como
o rugido do leão jovem é a indignação do rei, mas como o orvalho sobre a relva
é a sua benevolência'. (Provérbios 19-12)
Blog do Magno
Martins