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domingo, 10 de maio de 2015

Após perder bebê a 15 dias do parto, mãe adota e diz: “Fomos dormir um casal e acordamos com duas filhas”

Pais fogem do perfil tradicional ‘de criança de até 1 ano’ e adotam irmãs de 2 e de 5 anos

“Bom dia, mãe!”. A maior alegria da professora Raquel Bianchin é acordar de manhã e ouvir suas filhas Amanda e Nátaly dizendo essas palavras. A rotina delas é agitada: tem escola, ballet, caratê, tarefa de casa, brincadeiras...
Desde a chegada das meninas, a vida de Raquel mudou para sempre. Até em tarefas simples do dia a dia, como preencher um formulário e informar que tem duas filhas.
A vida dela e de seu marido, o funcionário público Fernando Santiago de Freitas, mudou para sempre no dia 11 de dezembro de 2013, quando o casal recebeu “a ligação”.
Em abril de 2010 o casal entregou a documentação para começar o processo de adoção no fórum e, então, começou a “gestação invisível” de Raquel. O casal colocou todas as esperanças nessa espera para encontrar suas filhas. Raquel diz que o perfil de crianças que ela e o marido pediram ajudou muito para que o processo fosse mais rápido.

— Quando fizemos o curso, nós mudamos o nosso perfil. Porque a princípio a gente tinha colocado que queria uma criança de até um ano, de ambos os sexos. Que é o perfil que a maioria pede. Quando a gente fez o curso a gente aumentou esse perfil para até cinco anos podendo ser irmãos.

O encontro de mãe e filhas aconteceu quando Amanda tinha cinco anos e Nátaly tinha dois. Essa união se deu depois de um período de sofrimento para Raquel, que tinha perdido um bebê quando já estava no final de uma gestação, faltando quinze dias para o bebê nascer.

— Alí o mundo meio que acabou. Desabou. As esperanças foram sumindo e, em 2010, nós decidimos que nós íamos por em prática aquela nossa vontade de antes de adotar.
Como é diabética, Raquel teve uma gravidez de risco, o que fez com que perdesse sua filha. Porém, o que poderia ter sido encarado como o fim de tudo, foi o começo para que ela encontrasse suas filhas.

A adoção sempre foi tema tratado entre ela e o marido. O casal está junto desde 2002 e sempre teve vontade de adotar, mas nunca tinham colocado o desejo em prática. O acontecimento triste foi a motivação que faltava para que eles dessem início à caminhada que resultou no encontro de suas “filhas reais”.

— Você tem que estar consciente de quebrar o filho ideal e construir o filho real. Se isso não está claro, você não está preparado [para adotar].

Os três anos de espera valeram a pena para Raquel. Ela afirma que o processo é angustiante no começo, mas que a mãe tem que buscar pensar em outras coisas e ocupar a cabeça para que tudo passe mais rapidamente.

— Com a chegada das meninas, as coisas mudaram completamente. Nossas vidas mudaram. Fomos dormir um casal e acordamos com duas filhas. Foi muito rápido. Demora, mas quando acontece é tudo muito rápido.

Irmãozinho?

Agora, as meninas pedem “um maninho” para Raquel. Isso fez com que ela e o marido entrassem de novo na fila para adoção em dezembro do ano passado. Com ajuda das meninas, que também estão participando dessa “gestação”, o casal decidiu que agora ia querer um menino.
Como a Nátaly tem quatro anos, ela também precisa a aprender a dividir as coisas. Então pedimos uma criança mais nova que ela. Hoje, nosso perfil é até dois anos, mas conforme ela vai crescendo a gente vai ampliando esse perfil.

A professora diz que sua vida mudou em “absolutamente tudo” e que agora tem vontade de voltar para casa para ficar com elas depois do trabalho. Ela garante que essa motivação vem do fato de nenhum dia ser igual ao outro.

— [Ser mãe] é gratificante e não tem preço. É maravilhoso pensar que tenho que arrumar o meu dia em função delas.

Preconceito

Raquel diz que não sente que as filhas sejam vítimas de preconceito por serem adotadas. Ela acredita que é preciso explicar para as meninas que “ser adotado não é pejorativo”.

— Foi outra forma que tivemos de ter elas. E não precisa estar explicando para cada pessoa [que elas são adotivas]. Para quem eu acho que é relevante, eu falo que elas são adotivas.

Para a mãe, se existe algum preconceito, ele não é aparente. Ela garante que pelo fato de as filhas serem muito cativantes, elas “quebram muitos preconceitos”.
Porém, em alguns momentos, Raquel é questionada sobre sua diferença física pelas meninas. Quando uma delas questionou o fato, ela respondeu: “Olha filha, a mãe tem uma doença. A mãe não pode ter bebê na barriga. Então teve outra mãe que teve você e Deus pintou você como aquela mãe era. Só que a mãe sempre gostou de chocolate e não pode comer. E eu sempre gostei de coisas marrons e Deus me deu vocês”.

Em outro momento, quando a cor do cabelo, por exemplo, foi uma “implicância”, a mãe resolveu tingir os cabelos loiros de preto. A explicação para as meninas foi: “A mãe gosta tanto de vocês que a mãe quer ficar igual a vocês”.

Assim como acontece com toda mãe, o processo de educação das crianças não é fácil, mas Raquel garante que é muito gratificante. Tanto que ela se engajou no assunto e faz parte de um grupo de apoio à adoção para ajudar mães que também querem adotar.

— Para as mães que estão em dúvida, eu indico estudar. Ver se é isso mesmo que quer. Porque filho é para a vida toda. Não é um brinquedinho. Você tem que estar muito certa disso.




 Do  R7

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Entregar bebês para adoção não é crime

O recém-nascido que foi encontrado dentro de uma mochila, na última quinta-feira, no bairro de Santa Mônica, em Camaragibe, passa em. A família ainda não foi encontrada e ele, provavelmente, vai passar por um processo longo até ser adotado. Só este ano a notícia de outras três crianças que foram abandonadas ganhou destaque na Imprensa. Em fevereiro, um oi deixado dentro de uma caixa em um edifício nas Graças. Em junho uma menina recém-nascida foi encontrada por garis em Tejucupapo, no município de Goiana. No início de julho um menino com poucos dias de vida foi abandonado no banheiro do Mercado Público do município de Cumaru, no Agreste de Pernambuco.

Todos esses casos poderiam ter sido evitados se as mães tivessem a informação que abandonar uma criança é crime, mas dá-lo para adoção não. Desde 2009, a Segunda Vara da Infância e da juventude da Capital criou o programa Mãe Legal, que assegura o atendimento de mulheres que manifestem a intenção de entregar suas crianças para a adoção, seja antes ou após o nascimento. “Há o mito do amor materno. Quando essa mulher que está grávida não alimenta esse amor ela se sente despida socialmente. Aqui mostramos que Poder Público pode acolhê-la e ajudá-la a fazer a escolha responsável”, diz o juiz Hélio Bras.

A mulher que opte pela decisão da adoção ela pode manifestar esse desejo nas instituições públicas, como postos de saúde, maternidades ou até mesmo na Vara da Infância. Para Bras, quando uma mulher chega a procurar a Justiça, ela na verdade está tendo respeito e amor pelo bebê. “Naquele momento ela tá zelando pela integridade física da criança. Em nenhum momento é fácil para ela essa decisão. Quando traçamos um perfil de vida dessa mulher vemos que ela vem de um ciclo de abandonos”, explicou. Desde que o Mãe Legal foi criado os números surpreenderam até mesmo quem faz parte da equipe. “Pensávamos que adolescente e mulheres de uma classe menos favorecidas seria o principal público. Mas 49% estão entre 30 e 39 anos, 83% já tinha tido outros filhos e a escolaridade é de que 34% tinham o ensino médio completo”, explicou a coordenadora do Núcleo de Curadoria Especial e Proteção à Família, Ana Cláudia Souza.

Até o presente momento 178 mulheres foram atendidas pelo Programa. Destas, 66 deram continuidade ao processo e apenas 19 deram as crianças para a adoção.

“Durante o processo a equipe multidisciplinar faz todo um trabalho com essa mulher e vê a possibilidade da criança ficar na própria família com um parente que tenha esse desejo. Mas as vezes ela mesmo desiste de dar o filho para adoção”, explica Hélio Bras.

A desistência já aconteceu no último momento e algumas, dessas mulheres, nem tinham preparado o enxoval. Para dar um suporte a Segunda Vara da Infância fez uma parceria com a Secretaria de Assistência Social do Recife para dar apoio à essa mãe. “Trabalhamos com a linha tênue entre o direito da mulher e da criança. E queremos assegurar o melhor para ambas”, pontuou o juiz.

Sobre o processo de adoção, através do Mãe Legal, no máximo em 60 dias o bebê está com uma família. Já quando um bebê é abandonado esse processo é muito mais demorado.

Adoção - Para adotar uma criança, o candidato deve procurar a Vara da Infância e da Juventude da Cidade onde mora. Uma lista com documentos deve ser solicitada para cadastro e logo após, uma entrevista será realizada para avaliar o candidato. Só depois de aprovados, os nomes vão ser incluídos no Cadastro Nacional de Adoção. O processo leva em média um ano.

Projeto Acolher rompe barreiras

Devido ao sucesso do programa Mãe Legal, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) criou o Programa Acolher e pretende implantá-lo em todo o Estado. No entanto, atualmente, apenas as Varas de Jaboatão, Cabo de Santo Agostinho e São Lourenço possuem o serviço. “Estamos trabalhando para que as outras cidades conheçam o trabalho e que se uma mulher manifeste a vontade de dar seu filho para adoção, eles possam encaminhá-la à Justiça, assegurando o acolhimento dela”, informou o coordenador da Infância da Juventude, Paulo Teixeira.

Para disseminar o programa em todo o Estado, no próximo ano serão realizados três grandes eventos nos municípios do Recife e Caruaru e em outra cidade que ainda não foi escolhida (Serra Talhada ou Salgueiro).

O sucesso do Programa Mãe Legal não se restringe a Pernambuco. O Juiz Hélio Bras já palestrou sobre o programa no Espírito Santo e visitará Santa Catarina no próximo mês.


Da Folha de Pernambuco

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Homem solteiro ganha na justiça de Pernambuco direito a licença paternidade

Um homem ganhou na justiça uma licença paternidade remunerara de 180 dias para cuidar do seu filho de 4 anos, adotado em julho deste ano. A decisão foi do juiz federal substituto da 9ª Vara Federal, Bernardo Monteiro Ferraz. À decisão, de caráter liminar, foi determinada em 30 de setembro e cabe recurso junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5).

Mauro Bezerra, 49 anos, é servidor federal da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), e pleiteava a licença para ter mais tempo de convívio junto à criança - que antes morava no Abrigo Estadual de Crianças e Adolescentes de Garanhuns (CEAC), no Agreste do Estado - desde o dia 17 de julho desse ano, quando finalizou o processo de adoção.

O servidor, que não é casado, chegou a solicitar o pedido junto à Sudene, mas não teve sucesso. A decisão do Pernambucano é inédita no país. O tempo de 180 dias só havia sido concedido anteriormente na Justiça Federal a mães solteiras e casais homoafetivos, adotantes de crianças com menos de um ano de idade.


Do JC Online

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

EM PE, PARCERIA VAI AJUDAR MÃES NA DECISÃO DE DAR FILHOS PARA ADOÇÃO

Do G1 PE

imagem: filhosadotivos.blogspot.com

Uma parceria entre o Tribunal de Justiça de Pernambuco e a Rede de Proteção Social da Criança e do Adolescente será formalizada nesta terça-feira (28), no Recife. A ideia é levar para todo o estado o Programa Acolher, que oferece atendimento para que mães tomem decisões mais adequadas em relação à adoção ou não de seus filhos.


As primeiras cidades que receberão as ações do projeto, depois da capital, são Paulista, São Lourenço da Mata, Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho, todas na Região Metropolitana.


A psicóloga Denise Oliveira, participante do Acolher, contou que a grande intenção é uniformizar o atendimento em todo o estado.

 
“A gente está fortalecendo a relação do judiciário com a rede de proteção. A gente quer uniformizar e padronizar serviços que possam atender e acolher aquelas mulheres que, pelos mais variados motivos, naquele momento não sentem em condições de exercer o papel de mãe e têm o interesse de entregar as crianças para adoção”, contou.